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Com preço baixo, produtores de milho pedem reposição de estoques

SÃO PAULO, 6 Jun (Reuters) – Produtores de milho de Mato Grosso estão preocupados com a queda dos preços e reivindicam que o governo federal faça compras do produto para equilibrar o mercado, disse nesta sexta-feira Carlos Fávaro, presidente da Aprosoja, associação que reúne produtores de grãos no mais importante Estado agrícola do Brasil.

“O mercado já sinaliza com queda de preço. O governo precisa intervir para repor estoques”, afirmou, acrescentando que o preço médio de uma saca de milho de 60 kg na região norte de Mato Grosso é de 13,50 reais, muito próximo do custo de produção estimado pela associação, de 13 reais.

A tendência, segundo ele, é de queda nos preços pagos aos produtores, com a colheita de uma safra recorde nos próximos meses.

A sugestão dos agricultores é que o governo faça a compra neste momento, para colocar o produto no mercado durante a entressafra. “Daí haverá estoque quando faltar milho para as granjas”, completou Fávaro.

Na semana passada, os produtores reforçaram junto ao Ministério da Agricultura um pedido que já vem sendo feito desde dezembro, para reposição dos estoques oficiais através de contratos de opção de compra. Houve sinalização positiva do governo, mas nenhum movimento concreto.

O Ministério da Agricultura informou, em nota, que a questão foi encaminhada à equipe econômica, já que envolve liberação de recursos.

A pasta “propôs a realização de contrato de opção de 2,5 milhões de toneladas de milho, com o objetivo de garantir preço e recompor os estoques”, disse a assessoria de imprensa.

“O pleito está em análise pela área financeira do governo para que possam ser definidos os parâmetros de intervenção.”

SEM DETALHES

O Ministério não deu detalhes de prazos nem de patamares de preço a serem aplicados nestas compras. Os produtores de Mato Grosso desejam que o contrato de opção seja leiloado a cerca de 15 reais a saca, o que garantia uma pequena lucratividade, descontados os custos operacionais.

A demora por ação do governo federal desagrada os produtores.

“O governo sempre atua atrasado”, disse Julio Cinpak, presidente do Sindicato Rural de Lucas do Rio Verde, um dos municípios de Mato Grosso com maior produção de grãos.

Segundo ele, o baixo patamar dos preços do milho atualmente é amenizado porque cerca de 60 por cento agricultores da região fizeram comercialização antecipada e travaram preços melhores.

“O que já preocupa é a próxima safra”, completa Cinpak, lembrando que para o próximo plantio a relação do milho com os custos em elevação, incluindo os fertilizantes, pode desestimular os agricultores e reduzir a área de cultivo.

SAFRA RECORDE

A expectativa é que o mercado de milho seja inundado nos próximos meses por uma safra recorde, impulsionada por aumento de área plantada e boas condições climáticas nas principais regiões produtoras.

O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária, ligado à Aprosoja, divulgou esta semana estimativa de 13,1 milhões de toneladas para a safra de inverno de milho no Estado. Trata-se de um aumento de 87,5 por cento ante o período passado, em 2010/11, que registrou colheita de 6,990 milhões de toneladas.

Mato Grosso é o primeiro Estado produtor de milho segunda safra, à frente do Paraná, e contribui grandemente para a previsão de safra recorde de milho no Brasil na soma das duas safras do período 2011/12, de 67,8 milhões de toneladas, que foi

divulgada na terça-feira pelo Ministério da Agricultura.

PREÇOS EM QUEDA

O milho no mercado futuro da BMF&Bovespa vem em queda no contrato julho desde meados de março, quando atingiu 27,46 reais. Nesta sexta-feira o contrato era negociado a 23,63 reais, queda de 2,15 por cento às 13h20.

O indicador ESALQ/BM&FBovespa também mostra declínio. Na última avaliação de preços, na quarta-feira, a saca de 60 kg era cotada a 24,69 reais, uma queda de 21,7 por cento ante o maior preço do ano, que foi de 31,53 reais, registrado em 13 de janeiro. (Reportagem de Gustavo Bonato)