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Com “novo PAC”, governo prepara pacote de estímulo à construção civil

Segundo avaliação do Planalto, setor, que cortou 500 mil vagas em 2015, tem a capacidade de gerar postos de trabalho mais rapidamente que outros grandes empregadores

Por Da Redação - 5 Jan 2016, 08h31

Para tentar reverter o pessimismo apontado pelos indicadores econômicos, a presidente Dilma Rousseff planeja apresentar ainda neste mês medidas e propostas que ajudem a retomar o crescimento e animar a economia, mas sem abandonar o ajuste fiscal que desde o início do segundo mandato tenta implementar. O plano já é tratado no Palácio do Planalto como uma espécie de “novo PAC” e tem como prioridade estimular o setor de construção civil.

A expressão “novo PAC” faz referência ao Programa de Aceleração do Crescimento, criado em 2007 pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva para estimular a economia. Posteriormente, o PAC foi usado para ajudar a eleger a então ministra da Casa Civil Dilma Rousseff à presidência da República.

Para o Planalto, a escolha pela construção civil deve-se à capacidade do setor de, uma vez estimulado, reagir mais rapidamente e, com isso, criar empregos. O setor foi o que mais eliminou postos de trabalho em 2015, com cerca de 500.000 demissões – o pior resultado da história.

Entre as principais demandas das empresas de construção civil para voltar a crescer estão a retomada de projetos como a terceira fase do programa Minha Casa Minha Vida e a quitação de obras já executadas. Há atrasos de até quatro meses no pagamento a empresas contratadas pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), autarquia que gerencia mais de 1.000 contratos ativos e é dona do maior orçamento liberado pelo governo.

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Estimular esse setor e, com isso, dar novo fôlego à economia, casa com a agenda política de 2016. A presidente enfrentará na volta do recesso parlamentar, em fevereiro, um processo de impeachment e há a avaliação no governo e no PT de que é preciso agir o mais rapidamente possível para evitar uma grande derrota nas eleições municipais, em outubro. A resposta seria um plano para tentar conter a alta do desemprego e reduzir a força do discurso oposicionista de que o partido é o maior responsável pela crise econômica.

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Isso explica por que nos últimos dias alguns ministros têm admitido em público erros na condução econômica e, ao mesmo tempo, defendido Dilma do impeachment. Nesta segunda-feira, pelo Twitter e pelo Facebook, o ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, afirmou que o governo não apenas reconhece os erros que cometeu na economia como está trabalhando para resolvê-los.

“Temos plena consciência de alguns erros que cometemos e das dificuldades que precisamos vencer na economia, mas impopularidade não é crime”, escreveu o ministro. “É um defeito, um problema que vamos seguir trabalhando para resolver.”

(Com Estadão Conteúdo)

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