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Com inflação persistente, mercado projeta a sétima alta seguida na Selic

Mercado é unânime na perspectiva de aumento de 1,5 ponto na reunião do Copom desta quarta-feira; juros devem terminar 2021 em 9,25%, alta de 362% no ano

Por Luisa Purchio Atualizado em 8 dez 2021, 09h38 - Publicado em 8 dez 2021, 09h20

Em praticamente unanimidade, o mercado financeiro espera que o Copom irá subir a Selic em 1,5 ponto percentual no último comunicado do ano, que será divulgado no final desta quarta-feira, 8. A alta desta magnitude foi sinalizada na última reunião, realizada em outubro, e com ela a taxa básica de juros passará a atingir 9,25% ao ano. Se confirmada, essa será a sétima alta consecutiva no índice, que até o começo desde ano, vinha em ritmo de queda. A última grande sequência de altas consecutivas ocorreu entre setembro de 2014 e julho de 2015, quando a taxa passou de 11% para 14,25% após oito encontros do Comitê de Política Monetária.

“O cenário econômico evoluiu de acordo com a sinalização do Banco Central, não houve nenhuma grande surpresa. A crise fiscal continuou, a inflação continuou elevada e tivemos piora das expectativas do longo prazo. Além disso, os dados da atividade econômica vieram mais fracos. Todos os sinais corroboram para a continuidade do processo de elevação de juros”, diz João Mauricio Rosal, economista-chefe da Guide Investimentos.

A taxa básica de juros da economia começou o ano de 2021 a 2% ao ano, mas desde a primeira reunião, realizada em janeiro, vem em uma escalada de subida e, com a alta prevista de hoje, totalizará 7,25 pontos percentuais. A inflação foi o principal propulsor dessa alta, principalmente de produtos como combustíveis e energia.

De acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), a prévia da inflação oficial, o mês de novembro teve alta de 1,17% e no ano acumula 9,57%. Só em novembro o preço do gás de botijão subiu 4,34% e a gasolina subiu 6,62%, acumulando no ano uma alta de 44,83%. Além da inflação, o risco fiscal do país vem pesando na Selic. A aprovação da PEC dos Precatórios, que prevê mudança na regra do teto de gastos e a rolagem de dívidas judiciais que ultrapassarem o limite de 40 bilhões de reais em 2022, aumentaram a percepção negativa.

Ao longo do ano passado, quando o Copom decidiu descer os juros para os níveis historicamente baixos de 2% ao ano para estimular a economia em meio à crise causada pela Covid-19, o Comitê veio sinalizando a importância do andamento das reformas econômicas que aliviassem as contas públicas do país.

Apesar da relação dívida/PIB ter se amenizado de lá para cá, no longo prazo o cenário ainda é duvidoso e as expectativas do mercado se deterioraram tendo em vista principalmente as eleições no ano que vem.

 

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