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Com inflação acelerada, mercado estima PIB menor em 2021 e 2022

Analistas consultados pelo Banco Central projetam IPCA a 8,69% neste ano, a 28ª semana de aumento, e PIB a 5,01% neste ano e 1,5% no próximo

Por Larissa Quintino Atualizado em 18 out 2021, 13h35 - Publicado em 18 out 2021, 09h17

A pressão inflacionária, que aperta os orçamentos das famílias, acende o sinal de alerta no mercado financeiro. Pela 28ª semana consecutiva, analistas consultados pelo Banco Central elevaram a previsão do IPCA, o índice oficial de inflação do Brasil, para este ano. Segundo o Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira, 18, a estimativa é que o indicador encerre 2021 em 8,69%, mais que o dobro registrado no ano passado. A alta dos preços, que deve persistir em 2022, tem como consequência juros maiores e uma possível desaceleração do crescimento. Os analistas estimam o PIB em 5,01% neste ano e 1,50% no próximo. Há uma semana, a previsão era de 5,04% e 1,54%, respectivamente e, há um mês, de 5,04% e 1,63%.

A inflação mais alta, vista anteriormente como fenômeno passageiro pelo Banco Central e o governo, persiste e atinge quase toda a economia. No fim do ano passado, a pressão maior era de alimentos, porém combustíveis e energia elétrica também ficaram mais altos neste ano, repassando o aumento para todos os setores. Fatores como desvalorização do real, aumento do preço das commodities e crise hídrica se somam à pressão nos preços. Para 2022, os analistas consultados pelo BC estimam o IPCA em 4,18%, na 13ª revisão seguida para cima.

Vale lembrar que o centro da meta de inflação é de 3,5% para o próximo ano, com margem de tolerância até 5%. Em 2021, o IPCA está distante não só da meta, de 3,75%, como também do teto dela, que vai até 5,25%. Em setembro deste ano, o acumulado da inflação em doze meses chegou aos dois dígitos, batendo 10,25%.

Com essa inflação mais alta, a taxa de juros também se eleva. A Selic, que começou o ano em 2% e está em 6,25%, deve terminar 2021 em 8,25% e 2022, em 8,75%, segundo os analistas considerados pelo Focus. Com a taxa de juros mais alta, o crédito fica mais caro e o consumo, desestimulado. Na última reunião, o Comitê e Política Monetária (Copom) subiu a taxa Selic de 5,25% para os atuais 6,25% ao ano e sinalizou que na próxima reunião, em novembro, deve fazer uma nova elevação.

O efeito colateral dos juros mais altos é uma lentidão na economia, que vinha em trajetória de retomada em 2021, após o choque em 2020. E, nessa conjuntura, o PIB deve se desacelerar. O IBC-Br, a “prévia do PIB” do BC, mostrou recuo de 0,15% em agosto, pior que a estimativa do mercado.

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