Com dívida bilionária, Argentina vai vender cidadania para reforçar caixa; saiba os valores
País precisa honrar o pagamento de 25 bilhões de dólares de empréstimos até 2027
Com cerca de US$ 25 bilhões (R$ 132,5 bilhões) em pagamentos de dívida externa previstos para 2027, a Argentina procura novas formas de atrair dólares. Uma delas é transformar a cidadania em uma fonte de recursos.
O governo de Javier Milei anunciou um programa que permitirá a estrangeiros obter o passaporte argentino mediante uma contribuição de US$ 350 mil (R$ 1,86 milhão) ao Tesouro ou um investimento de US$ 800 mil (R$ 4,24 milhões) em títulos públicos.
A expectativa é que o chamado programa de cidadania por investimento comece a receber inscrições até o fim deste ano.
Segundo uma estimativa de um consórcio de empresas de investimento que assessora o governo, a iniciativa poderia movimentar até US$ 2,5 bilhões (R$ 13,25 bilhões), dependendo do número de interessados.
O anúncio foi feito pelo ministro da Economia, Luis Caputo, durante um evento voltado a investidores em Paris.
Para uma família de quatro pessoas, a contribuição não reembolsável ao Tesouro será de US$ 500 mil (R$ 2,65 milhões). Na modalidade de investimento, o estrangeiro terá de manter US$ 800 mil (R$ 4,24 milhões) aplicados em um novo título público por sete anos.
Busca por financiamento
A iniciativa surge em um momento em que o governo argentino ainda enfrenta limitações para captar recursos no mercado internacional. Sem uma retomada plena da emissão de dívida externa, a administração Milei busca alternativas para ampliar a entrada de moeda estrangeira.
A pressão aumenta diante dos compromissos de 2027. O Tesouro argentino terá quase US$ 25 bilhões (R$ 132,5 bilhões) em pagamentos de dívida em moeda estrangeira no próximo ano, segundo os dados apresentados pelo governo.
Desde que assumiu a Presidência, Milei vem tentando reposicionar a Argentina como destino para capital privado, com redução de gastos públicos, desregulamentação da economia e estímulo a investimentos em setores como petróleo e mineração.
Passaporte como ativo
O programa argentino será diferente dos chamados vistos dourados, adotados por dezenas de países para conceder residência a estrangeiros que investem determinadas quantias.
Nesse caso, o objetivo é conceder diretamente a cidadania, desde que o candidato seja aprovado pelas autoridades.
O passaporte argentino permite viagens sem visto prévio para mais de 140 países, segundo Caputo, incluindo integrantes do espaço Schengen, China, Rússia e a maior parte da América Latina.
Para estrangeiros sujeitos a restrições de entrada em outros países, a possibilidade de obter uma segunda cidadania pode representar um incentivo relevante.
A ideia do programa, segundo Caputo, teria surgido depois de uma visita de Milei aos Estados Unidos, em julho de 2024





