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Com credores no controle, Cirque du Soleil terá nova chance para brilhar

Oferta de grupo de credores, que detém US$ 760 milhões das dívidas do circo, promete investir até US$ 375 milhões para retomada das atividades

Por Felipe Mendes Atualizado em 19 ago 2020, 14h35 - Publicado em 19 ago 2020, 14h21

A pandemia de coronavírus tem condenado empresas que já passavam por um processo de alavancagem financeira. O grupo de entretenimento canadense Cirque du Soleil que o diga. A tradicional empresa de espetáculos que atua de forma itinerante, levando seus espetáculos artísticos para todos os cantos do mundo, contraiu mais de 1 bilhão de dólares em dívidas nos últimos anos. Por conta da interrupção das apresentações nos últimos meses devido ao contágio acelerado da enfermidade mundo afora, o grupo entrou com um pedido de recuperação judicial e anunciou a demissão de aproximadamente 95% de seu quadro de funcionários. Na noite da terça-feira, 18, um alento que pode dar sobrevida ao circo: a proposta de um grupo de credores foi anunciada como vencedora para assumir o controle da companhia. Para evitar a falência, a Justiça de Quebec precisa validar a oferta nas próximas semanas.

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O grupo de credores, que detém cerca de 760 milhões de dólares em dívidas do circo, se comprometeu a injetar até 375 milhões de dólares para a retomada das atividades da empresa do setor de entretenimento. Fundado em Quebec em 1984, o circo teve que cancelar 44 produções em todo o mundo em março devido à pandemia. Ao todo, 4.679 acrobatas e técnicos foram demitidos nos últimos meses. Além de religar as luzes dos palcos, o difícil objetivo do consórcio será reduzir o endividamento do grupo de mais de 1 bilhão de dólares para 300 milhões de dólares. Quem está a frente da proposta é o fundo Catalyst Capital Group. “Estamos ansiosos para fechar a transação rapidamente e iniciar o apoio à empresa”, disse Gabriel de Alba, sócio-diretor da Catalyst à agência de notícias Bloomberg. Tirada da cartola, a proposta dos credores foi uma resposta à oferta inicial da controladora TPG, que adquiriu uma posição majoritária em 2015, com o apoio do governo de Quebec.

Além das propostas de credores e acionistas, o Cirque du Soleil recebeu outras quatro ofertas preliminares não vinculantes para a compra da companhia, de acordo com um relatório protocolado pela consultoria Ernst & Young. Nenhuma delas, no entanto, resultou em uma oferta formal, o que eventualmente poderia fazer com que a proposta dos credores se elevasse. O futuro do circo, segundo Alba, passa pela digitalização dos espetáculos e um controle rígido de sua gestão. “Tornaremos o Cirque digital e priorizaremos a melhor governança e responsabilidade social da classe artística”, complementa. De acordo com a proposta, a sede internacional do Cirque du Soleil continuará no distrito canadense de Montreal por pelo menos cinco anos. Um fundo de 20 milhões de dólares será criado para pagar funcionários demitidos e empreiteiros. Se tudo der certo, será uma mostra de que atividades artísticas podem sobreviver sem a ajuda estatal. Que a mágica continue.

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