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Com aceno à privatização, ações da Petrobras disparam e puxam Ibovespa

Em cessar-fogo, o presidente Jair Bolsonaro prometeu não 'interferir' na política de preços dos combustíveis e quer discutir 'privatização' da empresa

Por Felipe Mendes Atualizado em 26 out 2021, 10h10 - Publicado em 25 out 2021, 20h49

Aconselhado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, a diminuir o tom das críticas a Petrobras, o presidente Jair Bolsonaro disse que não tentará mais interfervir na política de preços da empresa. Em vez disso, Bolsonaro afirmou estar traçando soluções para a petrolífera. Nesta segunda-feira, 25, após a empresa comunicar um novo reajuste para a venda do diesel e da gasolina, o presidente, em entrevista a uma rádio do Mato Grosso do Sul, afirmou que a privatização da Petrobras “entrou no radar”. A declaração soou como música para os ouvidos para os investidores e surtiu efeito imediato na bolsa de valores brasileira, a B3. No pregão, as ações ordinárias da Petrobras subiram 6,13%, enquanto os papéis preferenciais avançaram 6,84%, servindo de alavanca para o Ibovespa, que subiu 2,28%.

Bolsonaro, no entanto, ressalta que uma eventual privatização da companhia é um processo mais complexo do que algumas pessoas podem imaginar. “Isso entrou no nosso radar. Mas privatizar qualquer empresa não é como alguns pensam, que é pegar a empresa botar na prateleira e amanhã quem der mais leva embora. É uma complicação enorme. Ainda mais quando se fala em combustível. Se você tirar do monopólio do estado, que existe, e botar no monopólio de uma empresa particular, fica a mesma coisa ou talvez até pior”, disse o presidente, em entrevista à rádio Caçula, de Três Lagoas (MS).

Segundo fontes, o governo até aceita reduzir sua participação na petroleira, mas mantendo a golden share (ação de ouro, na tradução livre), que garante o poder de veto para decisões estratégicas. Logo, faz sentido o cessar-fogo de Bolsonaro contra a empresa. Mas, mais do que uma vontade real de passar o capital da companhia à iniciativa privada, Bolsonaro procura falar “a língua dos investidores”. Ainda que isso venha a acontecer, a troca de controle por si só não significará uma resolução para o dilema do preço de paridade de importação para gasolina e diesel.

“Eu acho que essa declaração do Bolsonaro é movida apenas pelo interesse dele de se livrar do problema, já que ele se sente cobrado pelos preços dos combustíveis”, diz um ex-diretor da Petrobras. “Mas, ele não tem convicção. O desinvestimento de um ativo é um processo longo. É preciso aprová-lo no Congresso. Isso não é um processo simples.”

Para David Zylbersztajn, ex-diretor geral da Agência Nacional do Petróleo, a ANP, as declarações do presidente Bolsonaro sobre a privatização da empresa não podem ser levadas a sério. “O que influencia o preço é o mercado. Você tem que baixar o preço do barril de petróleo e do câmbio para ter algum impacto. Qual é a lógica de dizer que se privatizar o preço vai baixar?”, diz ele. “Será que ele quer transferir o monopólio do Estado para a iniciativa privada? Isso não tem a menor chance de acontecer. É balela. Enquanto não tiver concorrência, sobretudo no refino, não vai mudar nada.”

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