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Com 29 liminares contra bloqueios de estradas, caminhoneiros recuam

Segundo um dos líderes da categoria, Wallace Landim, o Chorão, associações tentam derrubar as decisões judiciais e podem articular nova data para greve

Por Larissa Quintino Atualizado em 8 nov 2021, 02h30 - Publicado em 1 nov 2021, 08h47

As 29 decisões liminares conseguidas pelo governo contra o bloqueio das estradas fez com que os caminhoneiros recuassem, até então, da greve da categoria, que estava marcada para esta segunda-feira, 1º. Segundo o presidente da Associação Brasileira de Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, conhecido como “Chorão”,  a tentativa é para tentar derrubar as decisões e, a partir disso, parar. O líder de greve de 2018 afirma que enquanto o departamento jurídico de sua associação e de outras entidades ligadas aos caminhoneiros tenta reverter as decisões, a orientação é que os caminhoneiros não circulem, mas é possível que a categoria se organize para paralisar em uma nova data.

“Nós temos o direito de nos manifestar. Esse governo se diz democrático, mas por que não usou esse mecanismo (liminares) depois do 7 de setembro em uma manifestação que falava em derrubar o STF (Supremo Tribunal Federal)? Nosso departamento jurídico está tentando derrubar essas liminares, então tivemos que dar uma recuada. Nossos transportadores estão em risco”, disse o caminhoneiro a VEJA, em referência às multas sobre o bloqueio de estradas.

O governo conseguiu decisões para evitar o bloqueio de rodovias nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Espírito Santo, Paraná, Pará, Bahia, Mato Grosso, Rio Grande do Norte, Alagoas, Paraíba, Maranhão, Tocantins, Goiás, Amazonas e Piauí. O valor da multa é variável, mas chega a até 300 mil reais por dia em algumas decisões. 

Dessa forma, a expectativa é de baixa adesão ao movimento marcado nesta segunda-feira e, até às 7h dessa segunda-feira, nenhum bloqueio era registrado em rodovias federais, apenas três pontos de concentração de caminhoneiros. Os manifestantes se concentravam às margens da Via Dutra, perto de Barra Mansa (RJ), da BR-101, na região de Rio Bonito (RJ); e da BR-116, na altura de Itaitinga (CE). Segundo o Ministério da Infraestrutura, na madrugada, a Polícia Militar de São Paulo dispersou um ponto de manifestação no Porto de Santos, e houve registros de atos de vandalismo.

“Até o momento, foram deferidos 29 interditos proibitórios que contemplam os principais acessos e rodovias estratégicas do país, tendo como objetivo central a garantia do pleno funcionamento logístico. Vale ressaltar que os interditos representam elemento de reforço para que as forças de segurança trabalhem na manutenção da ordem, uma vez que o Estado deve garantir a livre circulação de pessoas, serviços e mercadorias essenciais para o país”, disse, em nota, o Ministério da Infraestrutura.

Em 2018 a greve dos caminhoneiros durou dez dias e teve impactos na inflação e no crescimento do PIB daquele ano. Desde então, diversas tentativas de greve reivindicando melhores condições de trabalho foram feitas, como em 1º de fevereiro deste ano, porém, sem bloqueio de rodovias. Na manifestação após os atos antidemocráticos de 7 de setembro, houve paralisação em diversos estados. Na ocasião, entretanto, os manifestantes, grande parte apoiadores do presidente Jair Bolsoanro, pediam a renúncia de ministros do Supremo Tribunal Federal.

Preço dos combustíveis

A principal demanda dos caminhoneiros está atrelada ao preço do diesel, que vem sofrendo seguidos reajustes este ano, devido à política de preços da Petrobras. “Ninguém está aguentando mais, e existe muita gente desanimada”, diz Chorão. A política de preços da estatal leva em consideração o preço do barril do petróleo, que passa de 80 dólares no mercado internacional, e do câmbio.

 Segundo a Agência Nacional do Petróleo, a ANP, o valor médio do diesel acelerou 4,5% nos postos brasileiros na semana encerrada em 30 de outubro. O preço médio chegou a 5,211 reais por litro. O preço máximo foi de 6,420 reais o litro em Cruzeiro do Sul, no Acre. Além do preço do diesel, os caminhoneiros também reivindicam sobre um piso mínimo do frete e o retorno da aposentadoria especial com 25 anos de trabalho. 

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