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Coalizão desmorona e deixa governo da Itália por um fio

Por Barry Moody

ROMA (Reuters) – O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, recusou-se a renunciar nesta sexta-feira, apesar da rebelião partidária que deixou sua coalizão por um fio em meio a uma crescente crise econômica.

Há a convicção generalizada de que Berlusconi perdeu a maioria parlamentar, mas ele não reconhece isso. “Temos uma maioria que eu continuo acreditando que seja sólida e vamos continuar governando”, disse ele a jornalistas durante a cúpula do G20 na França.

O bilionário político, de 75 anos, qualifica de traidores os deputados do seu partido, o PDL, que romperam com a coalizão, mas diz que vai conversar para atraí-los de volta.

Refletindo a incerteza, o ágio pago sobre os títulos italianos com vencimento em dez anos chegou nesta sexta-feira a 6,43 por cento, maior valor na era do euro, e próximo dos níveis que levaram aos resgates financeiros para a Irlanda e Portugal.

O presidente italiano, Giorgio Napolitano, se juntou às vozes que, com alarme, pedem um consenso entre os políticos para a aprovação de reformas econômicas. Segundo ele, a Itália está sofrendo uma grave crise de confiança internacional.

Durante a cúpula do G20, Berlusconi aceitou que o Fundo Monetário Internacional monitorasse as reformas na Itália, mas rejeitou verbas do fundo. Tudo isso, no entanto, pode em breve se tornar irrelevante, caso o primeiro-ministro não consiga sobreviver politicamente à rebelião.

A crise foi exposta na reunião de Cannes, onde o ministro da Economia, Giulio Tremonti, com quem há muito tempo Berlusconi tem relações gélidas, se recusou a revelar sua opinião sobre a conveniência de o premiê permanecer no cargo.

Diante da crise da dívida na Grécia, a Itália é vista como a próxima peça do dominó a cair, e há cada vez mais apelos pela formação de um novo governo que promova reformas e recupere a confiança internacional.

Berlusconi diz que a única alternativa a ele é a realização de eleições antecipadas no primeiro semestre de 2012, em vez da nomeação de um tecnocrata ou de um governo de unidade nacional, como querem muitos políticos e analistas.

Nesta semana, dois deputados do conservador PDL desertaram para o centrista UDC, reduzindo a bancada pró-Berlusconi para prováveis 315 parlamentares, um a menos que a maioria absoluta.

Mas pelo menos sete outros deputados governistas defenderam a formação de um novo gabinete, e podem votar contra Berlusconi num eventual voto de confiança.

“A maioria (governista) parece estar se dissolvendo como um boneco de neve na primavera”, disse o respeitado analista Stefano Folli no jornal econômico Il Sole 24 Ore. Outros comentaristas citaram uma revolta “inexorável” contra o premiê.

Até o vice-ministro da Defesa, Guido Crosetto, leal a Berlusconi, disse na TV: “Não sei quantos dias ou semanas restam paro governo. Certamente uma maioria que dependa de alguns poucos votos não consegue continuar por muito tempo.”

(Reportagem adicional de Giselda Vagnoni, em Cannes; de Paolo Biondi e Giuseppe Fonte, em Roma)