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CNI: economia continuará sustentada pelo consumo interno

Por Renata Veríssimo

Brasília – A Confederação Nacional da Indústria estima que a economia em 2012 continuará sendo sustentada pelo consumo doméstico, que contribuirá com 2,6 pontos porcentuais da elevação do Produto Interno Bruto (PIB). Isso porque, segundo o economista-chefe da Confederação, Flávio Castelo Branco, haverá o aumento do salário mínimo, o relaxamento da política monetária e uma expansão dos gastos públicos.

Castelo Branco disse que a CNI prevê ao menos mais dois cortes na taxa Selic, no início do próximo ano. A previsão da Confederação é que a Selic encerre 2012 em 10% ao ano, com uma taxa de juros real média de 4,4%.

Na avaliação do economista, o cenário de baixo crescimento econômico continuará presente no próximo ano, mas ponderou que o cenário externo desfavorável tende a contribuir para uma redução da inflação. Para ele, no entanto, a política fiscal do governo deve ter um caráter fortemente expansionista em 2012. “O governo será menos rigoroso na liberação das despesas discricionárias, em função desse cenário de crise”, previu.

Câmbio

Para a taxa de câmbio, a CNI espera uma cotação média de R$ 1,80 por dólar, mas com a manutenção da volatilidade da taxa, como ocorreu este ano. Castelo Branco disse, no entanto, que a desvalorização do real em relação à taxa média de 2011 deve tirar um pouco da vantagem que os importados têm em relação aos produtos nacionais. Ele avalia, no entanto, que a balança comercial de manufaturados, em 2012, continuará com um déficit em torno de US$ 90 bilhões, já que a Ásia continuará sendo o principal concorrente do Brasil nas vendas de manufaturados.

Castelo Branco aposta, por outro lado, que a Ásia continuará demandando mais produtos básicos, o que deverá impactar de forma positiva a balança comercial brasileira. “O comércio exterior reflete uma demanda forte para básicos, enquanto o mercado de manufaturados continuará com uma concorrência difícil”, afirmou o economista.

O presidente da CNI, Robson Andrade, disse que a taxa de câmbio precisaria ficar entre R$ 2,10 e R$ 2,20 para dar a competitividade que a indústria brasileira sempre teve. “No patamar de R$ 1,80 ainda não é suficiente para que a indústria nacional possa voltar a ter uma projeção importante no mercado internacional”, disse Andrade.