Claro nxt combina redes móveis e fixas para ampliar sua presença no mercado de serviços digitais
Empresa mpulsiona seu crescimento com aquisições estratégicas e foco em inovação e 5G
Em 2019, o conglomerado mexicano América Móvil, controlador do Grupo Claro, desembolsou 905 milhões de dólares para comprar a Nextel, à época a quinta maior operadora de telefonia do Brasil, com 3,3 milhões de linhas móveis ativas. A operação fortaleceu a posição da empresa em mercados importantes, especialmente no Rio de Janeiro e em São Paulo. Um ano depois, a marca Nextel deixou de existir para dar lugar à Claro nxt — a vencedora do prêmio TOP30 no setor de telecomunicações em 2026. A campeã, comandada pelo CEO Rodrigo Marques, teve, em 2025, margem líquida de 12% e rentabilidade sobre o patrimônio de 13%, com receita líquida de 16,2 bilhões de reais e lucro de 2 bilhões.
O desempenho vem acompanhado de uma estratégia de expansão que ganhou novo impulso em março de 2026, quando a Claro anunciou a compra de 73% da Desktop por 2,4 bilhões de reais. A aquisição da maior provedora de internet por fibra óptica do interior paulista amplia a presença do grupo e sua capacidade de combinar conectividade móvel e fixa. “A Claro tem crescido de forma consistente, tanto organicamente quanto por meio de aquisições estratégicas de empresas que complementam a nossa atuação”, diz Marcio Carvalho, diretor de marketing da empresa. Segundo o executivo, a incorporação da Nextel trouxe novos clientes, ampliou a cobertura da rede móvel e agregou ativos intangíveis, como uma equipe qualificada.
Para Felipe Catharino, sócio-diretor da consultoria KPMG no Brasil e na América do Sul, a compra da Desktop faz parte de um movimento de consolidação que ainda tem muito espaço para avançar. Enquanto o mercado de redes móveis está concentrado em três grandes operadoras e apresenta elevado grau de competição, o de redes fixas permanece pulverizado entre milhares de fornecedores. Nesse cenário, fusões e aquisições surgem como um caminho para o crescimento. “Ao incorporar a Desktop, a Claro incorpora não apenas a base de clientes, mas também a infraestrutura formada pela companhia ao longo de quase trinta anos”, afirma Catharino.
Nos últimos anos, as telecomunicações assumiram um papel central na transformação da economia. No Brasil, a conectividade alcança 272 milhões de smartphones — 1,3 por habitante, segundo estudo da Fundação Getulio Vargas — e ganha novas aplicações com o avanço do 5G, da inteligência artificial e da análise de dados. Depois de garantir conexão em larga escala, o setor passou a incorporar tecnologias capazes de automatizar redes, personalizar a experiência dos clientes e criar novos serviços. Nesse cenário, as operadoras se aproximam cada vez mais das empresas de tecnologia ao reunir infraestrutura, conteúdo e soluções digitais em uma mesma plataforma. É nesse novo território, no qual conexão e inovação tecnológica se tornam cada vez mais inseparáveis, que a Claro nxt pretende ampliar sua presença.
Publicado em VEJA, agosto de 2026, edição VEJA Negócios nº 29







