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Cipriotas podem perder até 60% dos depósitos bancários acima de € 100 mil

Governo havia falado de perdas de 30% a 40% de suas contas, conforme acordado com credores europeus em troca de ajuda financeira

Por Da Redação - 30 Mar 2013, 13h02

Os grandes poupadores do maior banco do Chipre poderão perder até 60% de seus depósitos bancários, muito mais do se temia inicialmente com o controverso plano de resgate da União Europeia (UE), disseram autoridades neste sábado. Antes, havia sido falado que as perdas estariam entre 30% e 40% por parte dos correntistas.

A proposta anunciada neste sábado é de que pelo menos 37,5% dos fundos de poupadores com mais de 100.000 euros em depósitos no maior banco do país, Bank of Cyprus (Banco do Chipre, maior do país), serão transformados em ações do próprio banco. Contudo, outros 22,5% serão retidos por dois ou três meses, período em que não receberão juros, até que se saiba se os termos do resgate poderão ser cumpridos e não será necessária nova capitalização do sistema financeiro. Ou seja, se não for provado que o país tem capacidade de seguir os termos do acordo com o eurogrupo, a porcentagem de poupanças retidas pode subir para 60%. Mesmo a liberação dos 40% restantes, que continuarão rendendo juros, estarão sujeitos à situação do banco.

Segundo Mario Skandalis, autoridade sênior do Banco do Chipre, as porcentagens são preliminares e podem mudar se o Chipre não conseguir chegar aos 5,8 bilhões de euros acordados com seus credores internacionais em troca de uma ajuda de 10 bilhões de euros. O endurecimento dos termos pode acelerar o declínio econômico e do emprego na ilha.

O presidente cipriota, Nicos Anastasiades, defendeu na última sexta-feira o acordo de 10 bilhões de euros, acertado com a UE há cinco dias, dizendo que ele conteria o risco de falência do país. “Não temos a intenção de deixar a zona do euro”, disse o líder conservador durante coletiva de imprensa na capital, Nicósia. “De forma alguma faremos experimentos com o futuro do nosso país.” Os cipriotas, contudo, estão irritados com o preço a ser pago pelo acordo: a dissolução do segundo maior banco do país, o Laiki Bank (Banco Popular) e o sem precedentes confisco dos depósitos acima de 100.000 euros.

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Neste sábado, o ministro da Justiça cipriota, Ionas Nicolaou anunciou que a comissão de investigação encarregada de avaliar as responsabilidades políticas e econômicas que levaram à crise bancária no Chipre tomará posse nesta terça-feira e pode já começar seus trabalhos no mesmo dia ou, no mais tardar, no dia seguinte. Entre as investigações estão a apuração sobre uma lista de políticos cipriotas que supostamente teriam os empréstimos perdoados pelo três principais bancos da ilha.

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(com agência Reuters e Estadão Conteúdo)

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