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Choque do governo Milei derruba exportações brasileiras para a Argentina em 18%

País vizinho segue como o terceiro maior destino das vendas brasileiras, mas ajuste econômico reduziu a demanda

Por Ernesto Neves Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 28 jul 2026, 16h57 | Atualizado em 29 jul 2026, 16h02
Choque do governo Milei derruba exportações brasileiras para a Argentina em 18% Priorizar nos meus resultados Google

As exportações brasileiras para a Argentina recuaram 18,1% nos últimos 12 meses, mesmo em um momento em que a economia do país vizinho voltou a crescer após a forte recessão do primeiro ano do governo de Javier Milei.

Os dados, divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), mostram que o mercado argentino perdeu participação na pauta exportadora brasileira e hoje responde por apenas 3,7% das vendas externas do país.

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Embora continue sendo o terceiro principal destino das exportações brasileiras, atrás apenas de China e Estados Unidos, a Argentina vem reduzindo sua demanda por produtos brasileiros.

Em junho, as exportações somaram US$ 1,3 bilhão, ante US$ 1,6 bilhão no mesmo mês do ano passado.

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Automóveis seguem no centro da relação comercial

A indústria automotiva continua sendo o principal elo entre as duas economias e explica boa parte da retração.

Veículos de passageiros responderam por US$ 223 milhões das exportações brasileiras em junho, o equivalente a 16,9% do total embarcado ao país vizinho.

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Também figuram entre os principais produtos vendidos autopeças, caminhões, veículos comerciais e máquinas elétricas.

A forte integração das cadeias produtivas faz com que qualquer desaceleração da indústria argentina tenha impacto imediato sobre as fábricas brasileiras, especialmente em São Paulo, Paraná e Minas Gerais.

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Ajuste econômico reduz importações

Economistas apontam que a queda do comércio está ligada principalmente ao programa de ajuste implementado por Javier Milei.

Desde que assumiu a Presidência, em dezembro de 2023, o governo argentino promoveu um amplo corte de gastos públicos, eliminou subsídios, reduziu ministérios, flexibilizou controles cambiais e adotou uma política monetária restritiva para conter a inflação.

O programa permitiu reduzir a inflação e recuperar parte da confiança dos mercados, mas também provocou forte retração do consumo e do investimento durante boa parte de 2025.

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Apesar de indicadores recentes mostrarem retomada da atividade econômica, a demanda por importações ainda permanece abaixo dos níveis anteriores à crise.

Relatórios recentes do Fundo Monetário Internacional (FMI) e da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) apontam que a recuperação argentina ocorre de forma desigual, impulsionada sobretudo pelo agronegócio e pelo setor de energia, enquanto segmentos ligados ao consumo doméstico ainda apresentam fraqueza.

Brasil compra mais da Argentina

Enquanto as vendas brasileiras encolheram, as importações de produtos argentinos cresceram 3,8% em junho na comparação anual.

Também nesse fluxo, a indústria automotiva domina a pauta comercial. Os principais produtos importados foram caminhões e veículos comerciais, automóveis de passageiros, trigo, petróleo bruto e polímeros de etileno.

O resultado reduziu parte do superávit comercial brasileiro na relação bilateral.

Ruído político amplia incertezas

Os números também são divulgados em meio ao agravamento das relações diplomáticas entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Javier Milei.

Nos últimos dias, Milei voltou a fazer críticas públicas ao presidente brasileiro durante uma agenda em São Paulo. Em resposta, o Itamaraty convocou o embaixador argentino, Daniel Raimondi, para apresentar um protesto formal.

Apesar da deterioração política, especialistas em comércio exterior avaliam que o recuo das exportações brasileiras decorre principalmente do ajuste econômico argentino e da menor demanda industrial, e não das tensões entre os dois governos.

O comércio entre Brasil e Argentina é fortemente sustentado por acordos do Mercosul e pela integração das cadeias produtivas, especialmente no setor automotivo, fatores que tendem a reduzir o impacto imediato de crises diplomáticas sobre o fluxo de mercadorias.

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