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Chipre: presidente busca alternativas a plano de resgate

Nicos Anastasiadis afirma que agora é preciso enfrentar a situação criada pela votação contrária ao plano de resgate dos credores europeus

Após a rejeição pelo Parlamento do plano de resgate financeiro para o Chipre, acordado no último sábado, o presidente do país, Nicos Anastasiadis, convocou uma reunião para esta quarta-feira para examinar os planos alternativos. O presidente disse que respeita o resultado da votação, mas destacou que é necessário enfrentar a situação.

O plano de resgate europeu, pedido pelos credores Fundo Monetário Internacional (FMI), Comissão Europeia (CE) e Banco Central Europeu (BCE) em troca de 10 bilhões de euros em ajuda financeira, provocou descontentamento generalizado no país e no exterior por sugerir a taxação de 6,75% a 9,9% de todos os depósitos bancários no país. O objetivo das taxas era arrecadar 5,8 bilhões de euros. A decisão contrária ao plano já era esperada pelo mercado pela agressividade das medidas.

O anúncio da rejeição foi recebido com alegria pelos milhares de manifestantes que estavam em frente ao Parlamento. “O Chipre pertence ao seu povo”, “O povo unido jamais será vencido”, gritava a multidão.

Além dos cropriotas, os russos também não gostaram das medidas. Estima-se que eles detenham cerca de 20 bilhões de euros em depósitos no Chipre. O presidente russo, Vladimir Putin, chegou a qualificar o polêmico imposto de “injusto, pouco profissional e perigoso”. Por isso, nesta quarta-feira, o ministro cipriota das Finanças, Michalis Sarris, está em Moscou para negociar o apoio da Rússia com o ministro das Finanças do país, Antón Siluanov.

Sarris pediu que Moscou estendesse o pagamento do crédito de 2,5 bilhões de euros concedido em 2011 à ilha até 2016 – uma forma de aliviar a situação financeira difícil que enfrenta.Contudo, a reunião terminou sem um acordo entre as partes. O jornal americano The Wall Street Journal noticiou que o Chipre pedirá, além do prazo maior, um novo crédito à Rússia em troca de uma cota em bancos e empresas energéticas da ilha.

“Mantivemos uma negociação muito construtiva e sincera. Entendemos quão difícil é a situação e continuaremos a negociação para conseguir acordos que nos permitam obter a ajuda da Rússia”, disse Sarris ao final do encontro. O ministro de Finanças cipriota assegurou, porém, que sua delegação permanecerá em Moscou “até que alcancemos algum tipo de acordo”. Fontes ligadas à negociação disseram à agência Interfax que Sarris também se reunirá com o vice-primeiro-ministro russo, Igor Shuvalov.

Repercussão – Na ilha, os bancos, fechados desde sábado, permanecerão assim até quinta-feira, já que as autoridades temem uma corrida dos clientes aos caixas para retirar suas economias. A bolsa de valores também está com suas operações suspensas desde terça e não funcionará nesta quarta-feira.

A zona do euro reafirmou a “oferta” de socorro financeiro ao Chipre totalizando 10 bilhões de euros, assinalou um comunicado do grupo após o Parlamento cipriota rejeitar o polêmico plano. A diretora-geral do FMI falou na terça-feira que o importante é que o Chipre assuma o compromisso de arrecadar 5,8 bilhões de euros em cumprimento aos termos do acordo com seus credores e que cabe ao governo local regulamentar os descontos tributários.

A chanceler alemã, Angela Merkel, afirmou nesta quarta-feira que lamenta que o Parlamento do Chipre tenha rejeitado os termos de um resgate europeu, e disse que os parceiros da ilha estão agora esperando por uma nova proposta do governo cipriota.

“De um ponto de vista político, eu digo que o Chipre precisa de um setor bancário sustentável. O setor bancário de hoje não é sustentável,” disse Merkel após comparecer a uma reunião do comitê de assuntos europeus do Parlamento. “Nós vamos continuar com as negociações, principalmente através da troika. Nós vamos examinar qualquer proposta que o Chipre faça com respeito. A Alemanha quer uma solução.”

Bancos – Joerg Asmussen, membro do Conselho Executivo do BCE, disse nesra quarta-feira em uma seminário que os bancos do Chipre não ficarão solventes se não forem rapidamente recapitalizados e que só o BCE pode fornecer liquidez a bancos solventes.

O BCE afirmou na terça-feira, depois que parlamentares cipriotas rejeitaram um elemento importante do resgate proposto, que permanece comprometido em fornecer liquidez dentro das regras existentes. “Não ameaçamos (cortar a liquidez), mas apenas indicamos que podemos fornecer liquidez emergencial somente a bancos solventes, e que a solvência de bancos cipriotas não pode ser presumida se um programa de ajuda não for fechado em breve, o que permitiria uma rápida recapitalização do setor bancário”, disse Asmussen ao jornal Die Zeit. Ele também afirmou que nenhum outro país da zona do euro enfrenta uma crise do setor bancário comparável ao Chipre.

(com agências EFE, Reuters e France-Presse)