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China troca petróleo do Irã por Oriente Médio, África e Rússia

* Medida visa substituir o petróleo vindo do Irã

* Importação da Arábia Saudita atinge 2o maior nível

Por Judy Hua e Florence Tan

PEQUIM/CINGAPURA, 23 Dez (Reuters) – A China comprou petróleo suficiente no mercado spot do Oriente Médio, África e Rússia em janeiro para repor a oferta iraniana perdida, disseram fontes do mercado nesta sexta-feira, o que a deixa em posição confortável para negociar com a república islâmica sobre os termos para pagamentos pelo petróleo em 2012.

A China carregará um volume adicional de 12,43 milhões de barris de petróleo do Iraque, Rússia e oeste africano, mais do que cobrindo a oferta de 285 mil barris por dia (bpd) do Irã, de acordo com fontes do mercado e dados sobre embarques.

A Sinopec Corp, principal processador de petróleo da China, cortou seus embarques do Irã previstos para janeiro enquanto os dois países tentam resolver o impasse sobre os termos para o fornecimento no próximo ano.

Um declínio no longo prazo das exportações para o segundo maior consumidor de petróleo do mundo pode afetar fortemente o Irã, uma vez que a China é o principal consumidor de suas vendas, que estão sob crescente ameaça de sanções dos Estados Unidos e União Europeia.

Para recompor a perda da oferta iraniana, a Unipec, braço comercial da Sinopec, fechou dois grandes carregamentos de petróleo iraquiano tipo Basra Light, para janeiro, dobrando o volume que compra tradicionalmente todo mês daquele país, segundo estas fontes.

A China também está importando mais petróleo da Arábia Saudita, com o volume de novembro atingindo 1,17 milhão bpd, o segundo maior volume já registrado.

A Líbia também tem sido fornecedora. Os chineses haviam comprado 2,85 milhões de barris para embarque em outubro, após o fim de meses de conflito civil na nação norte-africana que interromperam o fornecimento local. A Unipec já contratou mais três navios para carregar o mesmo volume em dezembro.

A China importará 184 mil bpd mais em janeiro de 2012 do oeste africano em relação ao mês anterior.

“Não acredito que a China desistirá do petróleo iraniano, porque afetará a relação entre os dois países”, disse umoperador de uma companhia chinesa.(Reportagem adicional de Aizhu Chen, de Pequim)