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China quer reformas pró-mercado na economia

Por Kevin Yao e Koh Gui Qing

PEQUIM, 18 Mar (Reuters) – A China não pode atrasar as difíceis reformas econômicas, afirmou no domingo o vice-premiê, Li Keqiang, ressaltando o esforço da liderança do país para mudanças orientadas ao mercado após a demissão na semana passada de um líder de província ambicioso que queria um papel maior do Estado na economia.

Li Keqiang, amplamente considerado o sucessor de Wen Jiabao como primeiro-ministro em uma transição de liderança que começa no final deste ano, prometeu medidas flexíveis para manter o crescimento acelerado e os preços estáveis, com foco no aumento da demanda interna e em reformas estruturais para tornar o crescimento mais estável e equilibrado.

“A China chegou a um momento crucial para alterar seu modelo econômico e (a mudança) não pode ser adiada. As reformas entraram em uma fase difícil”, disse Li Keqiang, ecoando comentários feitos por Wen na semana passada.

“Vamos fazer políticas mais específicas, flexíveis e voltadas para o futuro para manter um crescimento econômico relativamente rápido e manter o nível de preços estável”, disse Li Keqiang em um discurso na conferência de política econômica em que participaram autoridades chinesas, a diretora-geral do FMI e dezenas de empresários estrangeiros.

Ele disse que a China iria “aprofundar as reformas no setor financeiro, impostos, preços, distribuição de renda e buscar avanços em áreas-chaves para deixar as forças do mercado desempenharem um papel maior na alocação de recursos”.

A ênfase de Li em crescimento sustentado por reformas, vem após as declarações de Wen de que um crescimento mais lento e reformas mais ousadas devem ser adotados para prevenir que a segunda maior economia do mundo falhe na distribuição de renda mais uniforme, prometendo usar seu último ano no poder para combater o descontentamento que pode levar ao caos.

Wen disse em entrevista coletiva ao final da Congresso Nacional do Povo (NPC, na sigla em inglês) que o crescimento seria protegido de pressões externas, riscos de inflação e uma dívida de 1,7 trilhão de dólares de governos locais negociada, enquanto reformas políticas serão promovidas.

Ele reduziu a meta oficial de crescimento da China em 2012 para 7,5 por cento, abaixo dos 8 por cento por ano nos últimos oito anos, com o objetivo de criar margem de manobra para reformas, incluindo subsídios sem causar inflação.

POLÍTICAS PRÓ-CRESCIMENTO

Zhang Ping, da principal agência do país para planejamento, a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, informou na conferência deste domingo, que políticas para a manutenção de um crescimento relativamente acelerado são cruciais para o futuro do país.

“Antes de mais nada, precisamos manter um crescimento econômico estável e relativamente rápido- o desenvolvimento é a chave para resolver todos os problemas na China”, disse Zhang.

O governo mantêm políticas monetárias prudentes e políticas fiscais pró-ativas, e está pronto para ajustes finos – um discurso consistente de líderes da China desde 2011.

A demonstração da união em torno de políticas pró-mercado ganhou novo significado na semana passada quando a liderança da China agiu para reforçar seu controle sobre a cidade sudoeste de Chongqing, após derrubar seu polêmico embora popular líder, Bo Xilai.