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China quer rastrear produção de soja do Brasil para coibir desmatamento

Maior processadora de alimentos do país, a Cofco anunciou que fiscalizará 100% das fazendas brasileiras até 2023

Por Victor Irajá - Atualizado em 3 jul 2020, 12h17 - Publicado em 3 jul 2020, 12h11

Maior empresa de processamento de alimentos da China, a Cofco International anunciou que vai rastrear toda a produção de soja oriunda do Brasil. Segundo a empresa, a medida terá fim em 2023 depois do fim do mandato do presidente Jair Bolsonaro. A fiscalização visa reduzir os danos ambientais realizados no Cerrado, principal polo de colheita de soja do país. A informação foi publicada no relatório anual de sustentabilidade da Cofco. Segundo a estatal, as fazendas serão verificadas por terceiros, para desacelerar o desmatamento que devastou algumas partes do Brasil. “Tornamos público nosso compromisso de rastreabilidade porque estamos preparados e queremos ser responsabilizados por ele”, afirmou Wei Peng, chefe global de sustentabilidade da Cofco. A empresa promete mapear a origem de mais da metade de suas compras de soja no Brasil ainda neste ano. A Cofco estima que a apuração seja realizada em algo entre 6,7 milhões e 7 milhões de toneladas de soja no país das safras de 2020 e 2021.

A preocupação não é por acaso. Como aponta o blog Impacto, de acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), no mês de junho foram registrados 2.248 focos de calor na Amazônia. O número representa a maior alta registrada para o período desde 2007. O estado de Mato Grosso lidera o índice de degradação, com 52.223 focos de incêndio em apenas um mês. Em seguida, aparecem o Tocantins, com 17.030 focos; Maranhão, com 13.267; e Mato Grosso do Sul, que aponta 7.800 picos de calor. No mês passado, o tarimbado jornal britânico Financial Times publicou um manifesto de 29 instituições financeiras, que movimentam mais de 3,7 trilhões de dólares para investimentos, exigindo um posicionamento mais duro do governo federal para desacelerar a degradação das florestas brasileiras. A carta foi entregue ao presidente Jair Bolsonaro.

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, vem comemorando a safra recorde de soja. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais, a Abiove, o país colheu 125 milhões de toneladas de soja no ano. As exportações, segundo a associação, devem ter alta de até 1,9% em relação ao ano passado, a despeito da pandemia de Covid-19. A interpretação dentro do Ministério da Agricultura é de que as exportações do país foram pouco afetadas pela doença, já que os principais parceiros comerciais do Brasil neste sentido se recuperaram rapidamente e não deixaram, evidentemente, de demandar produtos agrícolas. Principal parceiro comercial do país, a China, origem da doença, driblou rapidamente os efeitos nocivos do coronavírus e já começa a tentar restabelecer-se. 

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Alvo de achincalhes de membros do governo brasileiro e dos filhos de Bolsonaro, a China é fundamental para a economia do Brasil. Nesta quarta-feira 1º, a Secretaria de Comércio Exterior, ligada ao Ministério da Economia, apontou que o país registrou superávit de 7,4 bilhões de dólares em junho, um aumento de 25% em relação ao mesmo mês do ano passado. No primeiro semestre, porém, graças à pandemia, o saldo foi de 23 bilhões de dólares, uma queda de 10,3% sobre o mesmo período de 2019. Nos três primeiros meses do ano, antes da Covid-19 atingir a economia global em cheio, a China foi responsável por 80% do superávit recorde brasileiro registrado no período, quando somou 14,4 bilhões de dólares. É bom que o presidente atente-se para as demandas que vêm de lá. 

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