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China pode pedir compensações para emprestar à Petrobras

Estatal tomou um financiamento de US$ 3,5 bi com Banco de Desenvolvimento da China em meio à dificuldade de conseguir crédito

A Petrobras assinou no início do mês um contrato de financiamento de 3,5 bilhões de dólares com o Banco de Desenvolvimento da China (CDB), em um momento em que sofre limites para realizar captações no mercado de dívida, em meio a denúncias de corrupção e atraso na divulgação de seu balanço. Fontes do governo e especialistas concordam, no entanto, que essa ajuda financeira também dependerá de outras compensações que a estatal ofereça, além dos juros habituais. As informações são do jornal O Globo,

Eles acreditam que, em contrapartida, o CDB vai exigir o uso de máquinas e equipamentos asiáticos nas obras de infraestrutura no Brasil e até de trabalhadores chineses. No caso da Petrobras, a estatal pagaria o empréstimo comprando alguns equipamentos e fornecendo petróleo.

Além da própria estatal, alguns fornecedores da Petrobras, que passam por dificuldades financeiras relacionadas à Operação Lava Jato, também estão se associando a empresas chinesas para obter acesso ao mercado de crédito chinês e ajuda para dar andamento a obras. Segundo o presidente da Câmara Brasil-China de Comércio e Indústria, Charles Tang, as empresas chinesas já solicitaram entre 2 bilhões e 3 bilhões de dólares aos bancos de seu país de origem para tocarem projetos no Brasil.

Tang explicou ainda que as companhias chinesas estão à espera de novas licitações da Petrobras.

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As condições do empréstimo não foram divulgadas e o ex-embaixador do Brasil nos Estados Unidos, Rubens Barbosa, acredita que é o Brasil quem perde com a crescente presença da China na América do Sul. A Venezuela e a Argentina, que já passam por uma crise econômica, já foram socorridas por Pequim.

Ele, que hoje preside o Conselho de Comércio Exterior da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), aponta duas razões para o Brasil se preocupar com essa aproximação chinesa na região. A primeira delas é o aumento da concorrência, especialmente dos equipamentos chineses. Além disso, há um ponto político-diplomático relevante: o risco de instalação de uma base militar chinesa na Argentina.