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China lança 1a plataforma de negociação de minério

Por David Stanway

PEQUIM, 16 Jan (Reuters) – A China lançou nesta segunda-feira sua primeira plataforma de negociação de minério de ferro para mercado físico, na mais recente medida para tentar aumentar o poder da maior consumidora mundial da commodity sobre o preço, guiado há tempos por grandes fornecedores estrangeiros.

A China Beijing International Mining Exchange (CBMX) lançou a plataforma online junto com a Associação de Ferro e Aço da China (Cisa) e a Câmara de Comércio da China de Metais e Minerais & Importadores e Exportadores de Produtos Químicos.

A CBMX também lançou um índice baseado em transações concluídas, em vez de propostas de preço, e disse que o sistema vai refletir melhor a oferta e demanda e eliminar os efeitos de especulação e manipulação.

A China sempre acreditou que a sua posição como maior consumidor de minério de ferro do mundo lhe autoriza a ter mais voz sobre os preços, e a nova plataforma é sua última tentativa de ganhar mais controle das três grandes mineradoras globais, a Vale, a BHP Billiton e a Rio Tinto, que dominam três quartos do comércio marítimo de minério de ferro.

“As práticas de monopólio e as manipulações de preço têm um impacto massivo sobre os atuais preços do minério de ferro e também têm causado danos fatais à empresas de aço chinesas”, disse Wang Xiaoqi, vice-presidente da CISA.

“Sentimos que é necessário estabelecer essa plataforma na China, pois cerca de 60 a 70 por cento de nosso minério de ferro é importado e 100 por cento dos volumes do mercado spot estão na China -colocá-la na China é o mais racional”, disse ele à jornalistas.

A plataforma também vai tentar providenciar um rival doméstico para o intercâmbio comercial GlobalOre, apoiado pela mineradora BHP Billiton e com sede em Cingapura.

“Atualmente, empresas siderúrgicas (domésticas) estão dispostas a estabelecer contato com a plataforma GlobalOre -isto não é um problema, mas como ainda estamos desenvolvendo nossa própria plataforma temos pedido que elas não assinem nenhum contrato ainda”, disse Wang.

Ao contrário dos rivais, o comércio de derivativos de minério de ferro, como swaps e futuros, não vão ser permitidos, a fim de “melhor refletir o preço com base na oferta e demanda reais”, disse ele.

A bolsa disse mais cedo que bancos e organizações financeiras não serão autorizadas a participar, em uma tentativa de conter a especulação.

As principais siderúrgicas da China -Baosteel, Hebei Steel, Wuhan Steel, Shougang e Angang- bem como traders de ferro, incluindo Minmetals China e Sinosteel já concordaram em se tornar membros patrocinadores da plataforma.

No entanto, nenhum dos principais fornecedores de minério de ferro estrangeiros já se tornou membro, disse Wang.

(Reportagem de Ruby Lian em Xangai e Manolo Serapio Jr. em Cingapura)