Clique e Assine por apenas R$ 0,50/dia

China está vulnerável a bolhas de ativos, alerta FMI

Por Da Redação 15 nov 2011, 13h03

Por Koh Gui Qing

PEQUIM (Reuters) – Os maiores bancos comerciais da China enfrentam riscos sistêmicos se uma combinação de choques de crédito, setor imobiliário, câmbio e curva de juros, que podem ser superados isoladamente, acontecerem ao mesmo tempo, alertou o FMI nesta terça-feira.

Mas a China pode conter esses perigos, liberando os mercados financeiros para dar aos investidores, aos bancos comerciais e ao banco central uma maior autonomia em relação ao controle do governo, disse o Fundo Monetário Internacional (FMI) em sua primeira análise sobre o sistema financeiro chinês.

Apesar de não prever uma catástrofe iminente, o FMI deixou claro que a China precisava agir rapidamente, porque está vulnerável a booms desestabilizadores nos preços dos ativos.

“A configuração existente de políticas financeiras promove poupança elevada, níveis estruturalmente elevados de liquidez, e um alto risco de má alocação de capital e bolhas de ativos, particularmente no setor imobiliário”, disse o FMI.

O relatório, que foi concluído em junho, mas publicado somente nesta terça-feira, contém 29 recomendações importantes. O Fundo disse que executou um teste de estresse em 17 bancos, que respondem por 83 por cento do sistema bancário comercial da China.

O teste, feito em colaboração com o banco central chinês e o regulador bancário, mostrou que o quociente de empréstimos ruins dos bancos aumentou em pelo menos um ponto percentual para cada queda de um ponto percentual no Produto Interno Bruto

Continua após a publicidade

(PIB).

Num cenário severo onde os bancos sofrem uma confluência de choques, os quocientes de adequação de capital – ou redes de segurança de crédito – de credores que representam cerca de um quinto do total dos ativos bancários na China caiu abaixo do mínimo regulatório de 8 por cento.

O FMI disse que o cenário severo pressupõe um crescimento econômico anual de 4 por cento, nitidamente abaixo dos 9,1 por cento registrados no terceiro trimestre; um aumento da oferta monetária de cerca de 10 por cento; uma queda nos preços de propriedade de quase 26 por cento; e uma mudança nos juros de depósito e empréstimos de 0,95 ponto percentual.

No entanto, a resposta do governo chinês nesta terça-feira ao relatório sugere que Pequim não está com pressa para acatar o conselho do fundo.

“Temos notado também que o relatório contém vários pontos de vista que não são suficientemente abrangentes e objetivos”, disse o Banco do Povo da China (BC do país) em um comunicado publicado em seu site.

“A influência do governo sobre os mercados financeiros já evoluiu desde a intervenção direta para uma influência através da regulação de empresas financeiras”, disse o banco central.

A autoridade monetária acrescentou que a China precisa fazer seus próprios estudos para avaliar a viabilidade das recomendações do FMI.

Continua após a publicidade
Publicidade