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China e África do Sul suspendem compra de carne brasileira

Até o momento, três países oficializaram a interrupção das compras do produto brasileiro por suspeita de contaminação com o mal da vaca louca

Por Da Redação 13 dez 2012, 16h39

O Ministério da Agricultura confirmou nesta quinta-feira que China e África do Sul também suspenderam as compras de carne bovina do Brasil. No último sábado, o Japão já havia anunciado a suspensão e há rumores de que outros países podem impor restrições à entrada do produto brasileiro. Segundo o governo, a restrição não inclui Hong Kong, que é o segundo maior mercado importador da carne bovina nacional.

Os países suspenderam as importações devido aos temores em relação ao caso “atípico” da “doença da vaca louca” – ou Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB) – que ocorreu em dezembro de 2010 no Paraná, e foi confirmado pelo serviço sanitário brasileiro na semana passada.

A indústria frigorífica do Brasil afirmou que não existe justificativa técnica para nenhum país suspender as importações por conta da confirmação de um animal, morto em 2010, com o agente causador da EEB, disse Fernando Sampaio, diretor-executivo da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), nesta quinta-feira.

A entidade privada do principal exportador global de carne bovina do mundo ainda trabalha junto aos clientes para evitar que novos embargos aconteçam. “Se isso acontecer (embargo), o Brasil tem todo o direito de contestar a decisão na OMC (Organização Mundial do Comércio)”, afirmou Sampaio.

O Ministério da Agricultura informou na última sexta-feira que a fêmea morta em 2010 possuía o agente causador da doença, uma proteína chamada príon, que pode ocorrer espontaneamente em bovinos mais velhos e que poderia ou não causar a doença. Para o ministério, o Brasil não tem a EEB.

Sampaio ressaltou que, no mesmo dia, a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) reafirmou a classificação brasileira como risco insignificante para a doença. Há rumores de que Egito e Irã também suspenderão as importações, mas não houve confirmação oficial.

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A Rússia – um dos principias mercados da carne bovina do Brasil – também sinalizou que poderia suspender as importações, mas não emitiu uma decisão sobre o assunto até o momento. O executivo lembrou que os Estados Unidos e até o Japão já tiveram situações semelhantes. Nos EUA, o caso atípico foi encontrado em uma vaca leiteira que não entrou na cadeia, e eles não tiveram barreiras comerciais, observou o executivo.

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Ao contrário, as exportações norte-americanas até aumentaram no período, depois que seus principais mercados reiteraram que manteriam as compras. “O Brasil montou uma ofensiva diplomática, com o ministério passando informações à OIE e através de seus adidos nas embaixadas. Na indústria, estamos falando com os clientes”, afirmou. “O interesse é evitar um efeito dominó”.

Missões do governo – Em nota divulgada na tarde desta quinta-feira por meio de sua assessoria de imprensa, o Ministério da Agricultura informou que o país enviará missões à China, Rússia e ao Japão para esclarecer “o caso não clássico de Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB)”.

De acordo com o comunicado, os três países já receberam informações do governo brasileiro sobre o tema e outros esclarecimentos ainda serão prestados nos próximos dias. Para titular da Secretária-Executiva do Mapa, José Carlos Vaz, “é natural, ao tomar conhecimento via imprensa, que a reação de alguns países seja de cautela”, afirmou em nota.

O Ministério da Agrcultura reforça que o país também está intensificando os contatos com os maiores importadores da carne bovina brasileira. “Serão prestadas todas as informações aos parceiros comerciais do Brasil em todo o mundo”, divulgou o órgão na nota à imprensa. “Reforço que o rebanho brasileiro é de qualidade, o Sistema Veterinário Brasileiro é um dos melhores do mundo e em breve as negociações serão normalizadas”, disse o secretário de Defesa Agropecuária, Ênio Marques, no comunicado.

Certificação – Outra questão que vem demandando esforços por parte da indústria frigorífica é a demanda russa de um certificado que comprove a ausência de resíduos da ractopamina, um promotor de crescimento, nas importações de carne bovina e suína.

A medida entrou em vigor em 7 de dezembro, mas ele afirmou que, até o momento, o Brasil não teve cargas suspensas por esta questão, uma vez que a substância ainda não é utilizada nos rebanhos do país. Sampaio lembra que a ractopamina já é usada há cerca de dez anos no setor de suínos. Para bovinos, no entanto, seu uso foi aprovado somente no final do ano passado, através de alteração de instrução normativa, mas a substância não está sendo usada.

Em julho deste ano, duas empresas do setor de insumos obtiveram os registros necessários para comercializar o produto, mas, após a ameaça da União Europeia de banir a carne com o produto, a venda foi suspensa temporariamente.

A suspensão temporária, publicada no Diário Oficial em 12 de novembro, deve perdurar até que o Brasil adote um sistema de segregação. O executivo explicou que agora está em avaliação no governo proposta da cadeia produtiva para um sistema de segregação, criado a partir de parceria entre o Ministério da Agricultura e a Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária (CNA).

Mercado – De acordo com dados oficiais do Ministério da Agricultura, em 2012, o Brasil ocupada a posição de segundo maior exportador de carne bovina do mundo. Entre janeiro e outubro deste ano, somando miudezas, in natura e industrializada do produto, o país vendeu 1,024 milhão de toneladas para o mercado internacional. Os dados são do Sistema de Estatísticas de Comércio Exterior do Agronegócio Brasileiro (Agrostat).

A China, nos dez primeiros meses de 2012, comprou 10,1 mil toneladas de carne bovina do Brasil. O Japão adquiriu 1,3 mil toneladas, enquanto a África do Sul, 293 toneladas.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

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