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China critica proposta apresentada pelo Brasil na OMC

O encontro desta segunda foi convocado para abordar a proposta brasileira de que as regras da OMC incluam desajustes cambiais

Por Da Redação - 27 nov 2012, 10h21

Durante debate realizado nesta segunda-feira na sede da Organização Mundial do Comércio (OMC), em Genebra, a China rejeitou a proposta brasileira de utilizar normas de comércio internacional para compensar desajustes monetários e aproveitou a oportunidade para também culpar o “quantitative easing” (compra de ativos, ou QE), que os Estados Unidos têm praticado, por prejudicar economias emergentes.

“Nós, juntamente com muitos outros países, temos criticado essa política irresponsável e que empobrece seus vizinhos”, disse o vice-representante permanente da China na OMC, Zhu Hong, em referência à política de estímulo monetário conhecida como QE.

“Ela (a política) tem um impacto negativo sobre países em desenvolvimento ou emergentes, em particular”, disse Zhu durante o debate na OMC, em Genebra, sobre flutuações cambiais, de acordo com transcrição divulgada por uma autoridade chinesa.

O encontro foi convocado para abordar a proposta brasileira de que as regras da OMC incluam um sistema responsável por lidar com desajustes monetários. O embaixador do Brasil na OMC, Roberto Azevedo, que alguns diplomatas da área de comércio dizem ser um candidato a substituir o atual diretor-geral da organização, Pascal Lamy, assim que o francês deixar o cargo no próximo ano, tem gradualmente endurecido suas exigências no assunto.

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Após conseguir que os membros da OMC concordassem em analisar os conteúdos disponíveis sobre o assunto no ano passado, o Brasil fez circular uma proposta em 5 de novembro explicando que as regras da OMC abordavam distorções no comércio vinculadas ao câmbio, mas não instrumentos adequados para uma ação direta.

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“A OMC parece estar sistematicamente mal equipada para lidar com os desafios oferecidos pelos efeitos macro e microeconômicos de taxas de câmbio sobre o comércio”, disse o Brasil em sua proposta. “Os membros (da OMC) podem desejar, nesse contexto, considerar a necessidade de soluções de comércio na taxa de câmbio e iniciar algum trabalho analítico para esse efeito”, acrescentou o país.

A proposta não menciona “quantitative easing” e faz um apelo explícito a uma análise “a partir de uma visão sistêmica”. O texto inclui um gráfico que mostra o desajuste estimado do real, com sobrevalorização de quase 40% em 2011. O Brasil já havia dito que o QE é egoísta, atribuindo perda de exportações de emergentes a esse mecanismo.

O chinês Zhu disse que o assunto cabia ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e não à OMC. “A questão monetária é, em essência, de política monetária. O caminho correto para se resolver esse assunto passa pelo aumento da responsabilidade e da promoção da coordenação entre os emissores de divisas de reserva internacional”, acrescentou.

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(com Reuters)

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