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China compensa corte de petróleo do Irã com Rússia e Vietnã

Por Da Redação - 3 jan 2012, 11h10

Por Florence Tan

CINGAPURA, 3 Jan (Reuters) – A chinesa Unipec pagou um prêmio recorde por um embarque de petróleo bruto russo para fevereiro e comprou o petróleo vietnamita pela primeira vez em pelo menos um ano, disseram operadores, à medida que o segundo maior consumidor de petróleo do mundo busca se resguardar da redução da oferta iraniana.

A China reduziu as importações do petróleo iraniano em mais da metade em janeiro, enquanto os dois países regateiam sobre condições de pagamento para 2012, disseram fontes da indústria à Reuters. Os últimos acordos mostram que a disputa pode se arrastar também nas negociações para os carregamento de fevereiro.

Teerã está enfrentando sanções mais duras do Ocidente, o que pode prejudicar suas exportações de petróleo para a Europa e a Ásia. Isso dá ao maior negociante do petróleo bruto iraniano, a China, uma vantagem nas negociações de contrato como parte de um grupo de clientes cada vez menor.

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A China aparenta estar disposta a pagar por rotas alternativas de petróleo bruto para manter a pressão sobre o Irã. A Unipec, o braço comercial da refinadora asiática Sinopec, comprou os carregamentos de petróleo russo ESPO da empresa Rosneft pagando quase um dólar por barril a mais do que outras refinadoras pagaram recentemente pelo mesmo produto.

“Eles estão preparados para pagar a mais para obter o fornecimento de Kozmino, já que o petróleo da África ocidental e do Oriente Médio levará um tempo maior para chegar ali”, disse Roy Jordan, consultor da FACTS Global Energy, sediada em Londres, referindo-se ao porto de embarque para o petróleo russo.

“O ESPO é um substituto óbvio porque está convenientemente localizado e é um petróleo bruto de melhor qualidade.”

A China, que comprou quase 11 por cento de seu petróleo do Irã nos primeiros 11 meses de 2011, é o principal parceiro comercial do Irã e tem resistido a aprovar sanções da ONU, incluindo medidas cujo alvo era o setor petrolífero da República Islâmica. O governo chinês também criticou as sanções impostas fora da ONU.

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O presidente dos EUA, Barack Obama, assinou uma lei no sábado aprovando novas sanções que podem prejudicar as exportações de petróleo de Teerã ao proibir as refinarias de pagar pelo produto. A União Europeia deve considerar medidas similares assim que as potências ocidentais buscarem isolar Teerã por seu controvertido programa nuclear.

Teerã advertiu que poderia fechar o estreito de Ormuz, um canal pelo qual passam mais de 40 por cento do petróleo mundial, se as sanções forem impostas sobre suas exportações de petróleo.

No domingo, o Irã mostrou sua força militar ao anunciar um avanço na questão de combustível nuclear e testar um míssil de médio alcance no Golfo.

O petróleo Brent subia mais de 2 por cento na terça-feira, em resposta à escalada de tensão, para mais de 110 dólares o barril.

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BARRIS SUBSTITUTOS

A China vem comprando carregamentos do Oriente Médio, África e Rússia depois de cortar sua aquisição do Irã em janeiro em cerca de 285.000 barris por dia (bpd), mais de metade dos quase 550.000 bpd que comprou através de um contrato de 2011.

A Unipec comprou os dois carregamentos de 730.000 barris ESPO no leilão da Rosneft para 13-16 de fevereiro e 25-28 de fevereiro, disseram operadores na terça-feira.

A Rosneft vendeu um carregamento ao prêmio de 6,85-6,88 dólares o barril a cotações de Dubai, a mais alta já obtida para o grau desde o início das exportações há cerca de dois anos, disseram.

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