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China ameaça retaliar EUA por sanções ao Irã e eleva tensão antes de encontro entre Trump e Xi

Pequim diz que adotará 'todas as medidas necessárias' se Washington ampliar punições a empresas chinesas

Por Ernesto Neves Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 25 ago 2026, 12h13 | Atualizado em 26 ago 2026, 10h39
China ameaça retaliar EUA por sanções ao Irã e eleva tensão antes de encontro entre Trump e Xi Priorizar nos meus resultados Google

A China ameaçou retaliar contra os Estados Unidos caso o governo de Donald Trump amplie as sanções contra empresas chinesas acusadas de manter relações comerciais com o Irã, elevando a tensão entre as duas maiores economias do mundo às vésperas de um encontro previsto entre Trump e Xi Jinping.

O alerta de Pequim veio depois de Washington anunciar uma nova ofensiva econômica para isolar Teerã.

Batizada de Operation Economic Outcast, a iniciativa ampliou a pressão sobre a rede financeira e comercial iraniana e atingiu cerca de 60 indivíduos, empresas e embarcações em diferentes países, incluindo entidades sediadas na China e em Hong Kong.

Por enquanto, porém, o governo americano evitou atingir grandes instituições financeiras chinesas, uma medida que poderia provocar uma escalada muito mais grave.

Em resposta, o Ministério das Relações Exteriores chinês afirmou que o país tomará “todas as medidas necessárias” para proteger seus interesses. Pequim também voltou a condenar sanções unilaterais impostas sem autorização do Conselho de Segurança da ONU.

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A ameaça expõe o principal problema da estratégia americana.

É difícil aumentar a pressão econômica sobre o Irã sem confrontar diretamente a China, seu maior parceiro comercial e principal destino do petróleo iraniano.

Estimativas citadas por veículos internacionais indicam que os chineses absorvem a maior parte das exportações de petróleo de Teerã, tornando Pequim peça central para qualquer tentativa americana de estrangular a principal fonte de receitas do regime iraniano.

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O petróleo como ponto de colisão

As grandes refinarias estatais chinesas tendem a evitar negócios que possam expô-las diretamente às sanções americanas.

O comércio com o Irã, no entanto, continuou por meio de uma rede mais complexa de refinarias privadas, empresas intermediárias, comerciantes e operadores marítimos.

Nos últimos meses, Washington já havia aumentado a pressão sobre empresas chinesas envolvidas nesse comércio.

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A nova ofensiva, contudo, vai além de simplesmente adicionar companhias a listas de sanções: o governo Trump passou a ameaçar países e empresas que continuem a manter relações econômicas com Teerã com punições secundárias e até mesmo com a exclusão do sistema financeiro baseado no dólar.

O secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que a administração americana está dando aos parceiros do Irã a oportunidade de interromper essas relações antes de ampliar as punições.

Mas deixou claro que nenhum país estaria automaticamente protegido da nova campanha.

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O problema é que levar essa ameaça às últimas consequências significaria atingir diretamente empresas e, potencialmente, instituições financeiras da China. Uma decisão capaz de transformar uma campanha contra o Irã em uma nova crise econômica entre Washington e Pequim.

Risco para a trégua entre Estados Unidos e China

A escalada ocorre em um momento particularmente delicado da relação bilateral.

Trump e Xi devem se reunir nas próximas semanas, em um encontro visto como decisivo para preservar a trégua comercial negociada depois de uma sequência de confrontos tarifários entre os dois países.

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Uma ofensiva direta contra grandes empresas chinesas poderia colocar essa tentativa de estabilização em risco.

O próprio governo americano, até agora, parece ter evitado esse cenário: as novas sanções atingiram empresas e intermediários, mas pouparam os grandes bancos chineses, que seriam alvos muito mais sensíveis para a economia global.

A cautela tem uma razão evidente.

As sanções secundárias são uma das armas mais poderosas de Washington porque podem cortar empresas estrangeiras do sistema financeiro americano.

Mas seu uso contra uma economia do tamanho da chinesa poderia provocar retaliações e ampliar a fragmentação das cadeias globais de comércio e financiamento.

Pequim, por sua vez, vem reforçando seu arsenal legal para responder a sanções estrangeiras.

No início de agosto, o Ministério do Comércio chinês anunciou medidas contra seis entidades americanas com base em sua legislação antissanções, proibindo organizações e indivíduos no país de realizar determinadas transações e atividades de cooperação com elas.

A mensagem é que a China já dispõe de instrumentos para responder caso Washington transforme suas ameaças em uma ofensiva mais ampla.

Estreito de Ormuz aumenta pressão

A disputa comercial ocorre ainda em meio à guerra entre Estados Unidos e Irã e às dificuldades de navegação pelo Estreito de Ormuz, uma das rotas mais importantes do planeta para o transporte de petróleo.

O bloqueio e as restrições à passagem pelo estreito vêm pressionando o comércio de energia e elevando os riscos para países altamente dependentes do petróleo do Oriente Médio.

Para a China, o problema vai muito além das compras de petróleo iraniano: uma parcela relevante de suas importações de energia vem de produtores como Arábia Saudita e Iraque, que dependem da rota para exportar.

A nova campanha de sanções, portanto, cria um dilema para Trump.

Para aumentar efetivamente a pressão sobre Teerã, Washington precisa atingir a rede internacional que mantém as exportações iranianas.

Mas, quanto mais perto chegar da China, maior será o risco de transformar a guerra contra o Irã em um novo confronto econômico entre as duas maiores potências do planeta.

Por enquanto, Washington parece ter escolhido testar os limites.

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