Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Chevron identifica novo vazamento no Campo do Frade

Empresa pede autorização para suspender temporariamente atividades no campo, por precaução. ANP informou que empresa foi autuada por "não atender notificação da agência para apresentar as salvaguardas"

O novo vazamento foi identificado no dia 4 de março. Funcionários da empresa avistaram bolhas escuras de óleo, que não chegaram, segundo a companhia, a formar uma mancha

A petroleira Chevron, responsável pelo vazamento de 2.400 barris de óleo na Bacia de Campos em novembro do ano passado, pediu autorização à Agência Nacional do Petróleo (ANP) para suspender temporariamente a exploração no Campo de Frade – o mesmo onde houve o desastre. O motivo, informaram representantes da empresa em uma coletiva na tarde desta quinta-feira, foi a descoberta de um novo “afloramento de óleo” no campo. A suspensão das atividades, segundo explicou a empresa, é por precaução.

A Chevron também comunicou que identificou, no Campo de Frade, um rebaixamento do terreno em uma área próxima ao poço. A companhia tem 51,74% de participação no campo, onde a produção total é de 61.500 barris por dia. As outras empresas que operam no campo também vão paralisar suas operações caso a ANP autorize. Os parceiros no projeto são a Petrobras, com 30% de participação, e a Frade Japão Petróleo Ltda – joint-venture com a Inpex, Sojitz e Jogmec – com 18,26%.

O novo vazamento foi identificado no dia 4 de março. Funcionários da empresa avistaram bolhas escuras de óleo, que não chegaram, segundo a companhia, a formar uma mancha. No dia 13, foi identificada uma fissura de 800 metros de extensão, mas de largura milimétrica. No local onde foi encontrada a fenda, não havia, no momento, injeção de material nem perfuração. A Chevron está proibida de perfurar no Brasil desde o acidente do ano passado.

“O Frade é um campo relativamente complexo. Temos que ter prudência e cuidado, precaução para parar, analisar, aprender e colocar esses dados no plano de operação”, afirmou, durante a coletiva, Rafael Jaen Willianson, diretor de assuntos corporativos da Chevron. Para a empresa, segundo Willianson, não há relação com o acidente de novembro. As causas do problema de agora, no entanto, ainda serão investigadas. Apesar dos vazamentos, a Chevron não pensa em alterar os seus planos de investimento no Brasil.

A empresa emitiu uma nota em que afirma estar investigando as causas do afloramento de óleo. “A Chevron Brasil identificou durante o monitoramento do Campo Frade pequena mancha e uma nova fonte de afloramento”, diz a nota. “Dispositivos de contenção foram imediatamente instalados para coletar gotas, pouco frequentes. Hoje, algumas pequenas bolhas foram vistas na superfície. A Chevron Brasil está investigando a ocorrência”.

No momento em que a empresa conduzia uma entrevista coletiva, a ANP divulgou um comunicado informando que a empresa foi autuada. Diz a nota: “A ANP autou a Chevron ontem (14/3) por não atender notificação da Agência para apresentar as salvaguardas solicitadas para evitar novas exsudações na área. A Agência está acompanhando o vazamento desde o dia do incidente, 7 de novembro de 2011. Ontem (14/3) técnicos da ANP estiveram no Centro de Comando de Crise da Chevron e determinaram a instalação de um coletor no novo ponto de vazamento identificado pela empresa.”

A Chevron foi multada pelo Ibama em 50 milhões de reais pelo vazamento de novembro do ano passado e, depois, em mais 10 milhões de reais pela ausência de um plano de contigência para enfrentar acidentes. A mancha de óleo espalhou-se pelo mar, a cerca de 120 quilômetros do litoral do Rio de Janeiro. A empresa também recebeu uma série de autuações da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis).

Na última quarta-feira, a ANP informou ter concluído as investigações sobre o vazamento. A agência decidiu manter a proibição à Chevron para a perfuração de novos poços na região, alegando não estar convencida da falta de riscos de operação.

Secretaria do Ambiente– Para o secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, o vazamento da Chevron é prova da necessidade de se fazer um estudo de análise de risco. Minc disse que devem ser adotadas medidas ambientais rigorosas para prevenir atividades de perfuração de óleo no fundo do mar. “Nós vamos participar, acompanhando com o Ibama e a ANP (Agência Nacional de Petróleo). O Estado do Rio não vai se omitir, como não o fez da outra vez. Ainda há fatos nebulosos. É preciso informar a causa desse possível vazamento, a quantidade, o ponto exato de onde estão saindo as borbulhas”, disse.

O secretário considerou insuficientes as informações disponíveis pela empresa e afirmou que, se for necessário, sobrevoará a área afetada pelas bolhas de óleo. “Nós já tínhamos advertido que o vazamento ocorrido na Bacia de Campos, em novembro do ano passado, não havia sido completamente resolvido. Além disso, a causa do acidente não foi completamente esclarecida. Naquela época, a Chevron foi informada de que havia uma fissura no fundo do mar. A empresa fez o encapsulamento de apenas parte da fissura, quando o correto era ter feito em toda a área”, afirmou.

LEIA TAMBÉM:

PF indicia 17 pessoas por vazamento na Bacia de Campos

Ministério Público Federal quer Chevron fora do Brasil

“Chevron pode ser expulsa do Brasil”, diz Edison Lobão

Tecnologia que levou o Brasil ao pré-sal não avançou em segurança