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Chery vai produzir só 5 mil carros no Brasil em 2015

Primeira marca chinesa a se instalar no país, a Chery teve o azar de sua estreia coincidir com uma das mais graves crises do setor automotivo

Com capacidade para produzir 50 mil veículos por ano, a fábrica da Chery, em Jacareí (SP), usará em 2015 menos de 10% desse potencial. Primeira marca chinesa a se instalar no país, ela teve o azar de sua estreia coincidir com uma das mais graves crises do setor automotivo, que levará a indústria automotiva local a retroceder nove anos em volume de produção, com cerca de 2,4 milhões de veículos, depois de atingir seu ápice em 2013, com 3,7 milhões de unidades.

A Chery iniciou o ano projetando produção de 30 mil carros para 2015, número depois revisto para 20 mil e na sequência para 10 mil. Agora, pelas projeções, não deve chegar a 5 mil. “Começamos num ano ruim, mas é o preço que se paga para entrar no mercado”, diz o vice-presidente da Chery Brasil, Luis Curi.

Segundo Curi, “obviamente há uma frustração”, mas os chineses não estão arrependidos do investimento. Eles bancam o negócio, por enquanto, “extremamente deficitário”. “Acreditamos que o dólar continuará caro e importar será difícil, portanto quem tiver unidade local se consolidará no país, embora isso demande tempo”.

Na semana passada, a japonesa Honda, cujas vendas estão crescendo 15% num mercado que cai 22%, anunciou decisão inédita de adiar por tempo indefinido a inauguração de sua segunda fábrica no país, em Itirapina (SP). A filial está pronta e já fazia testes para a linha de montagem. A previsão era iniciar atividades no primeiro semestre do próximo ano.

Há poucos anos, as montadoras que estão no Brasil há mais de três décadas temiam os chineses. As sete marcas da China que atuam no país, porém, são todas importadoras – com exceção da Chery. Elas respondem por apenas 0,8% dos negócios.

Entre suas conterrâneas, a Chery é líder, com 4.704 veículos vendidos até outubro, à frente da JAC, que vendeu 4.372 carros até outubro – e segue com o projeto da fábrica na Bahia congelado. A Lifan vendeu 4.088 veículos, seguida de Geely (515), Jimbei (194), Changan (137) e Hafei (69).

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(Com Estadão Conteúdo)