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Cerca de 8 mil passageiros são afetados por greve em companhia aérea uruguaia

Montevidéu, 4 jul (EFE).- A greve de funcionários da companhia aérea uruguaia Pluna, que enfrenta dificuldades econômicas, afeta cerca de 8 mil passageiros devido ao cancelamento dos voos com destino e origem no Brasil, na Argentina, no Chile e no Paraguai, informaram fontes da empresa nesta quarta-feira.

A greve começou às 21h30 de ontem (mesmo horário de Brasília) e está previsto que se estenda até as 18h de quinta-feira, embora a empresa tenha decidido cancelar os voos até as 12h da sexta-feira para evitar ‘maiores incômodos’ aos passageiros.

Cerca de 100 voos da Pluna de Montevidéu para Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre, Buenos Aires, Assunção, Córdoba, e Santiago do Chile foram cancelados, o que levou a um prejuízo de aproximadamente R$ 2,438 milhões para a empresa.

A Pluna definiu que os passageiros que já haviam comprado passagens poderiam utilizá-las em outras companhias, de acordo com a capacidade disponível, ou reprogramar suas viagens para outras datas, acrescentaram as fontes.

No aeroporto de Montevidéu foi confirmado à Agência Efe que os voos da Pluna previstos para a manhã de hoje foram cancelados.

‘Há passageiros embarcando em outras companhias e o resto do operacional do aeroporto está normal’, detalharam os informantes.

O presidente da Pluna, Fernando Pasadores, disse que ‘para além’ dos custos financeiros da greve ‘o maior problema é como isso afeta a imagem’ da companhia aérea e ‘as dificuldades para os passageiros’.

No ‘momento’ atual da empresa, a situação ‘não ajuda’, acrescentou o funcionário em declarações à imprensa local.

Em 15 de junho o governo uruguaio anunciou um acordo com o grupo argentino Leadgate para uma ‘saída ordenada’ da sociedade da Pluna, na qual detinha a maioria das ações.

No mesmo anúncio, o ministro de Transporte e Obras Públicas, Enrique Pintado, informou que as autoridades procuram um novo sócio privado.

Até então, a Pluna tinha 75% de participação da Sociedad Aeronáutica Oriental (SAO), que por sua vez é propriedade da Leadgate, que detém dois terços das ações, e a companhia aérea canadense Jazz, dona de um terço, enquanto o Estado tem os 25% restantes dos papéis.

Como parte do acordo com a Jazz, que entrou no negócio em 2010, foi outorgado o prazo de um mês para que a empresa decida se comprará as ações que até o mês passado estavam nas mãos da Leadgate e, além disso, se capitalizará Pluna.

Já o sindicato de trabalhadores da Pluna tem como objetivo reivindicar às autoridades que garantam a manutenção dos 900 postos de trabalho da empresa, que atravessa dificuldades econômicas.

Para o presidente do órgão, Alberto Prego, a solução para os problemas da companhia seria o Estado capitalizá-la e voltar a ser o ‘sócio majoritário’.

A greve causou mal-estar no governo e por isso os ministros Pintado e Fernando Lorenzo, de Economia e Finanças, decidiram cancelar um encontro com delegados sindicais da Pluna previsto para a tarde de ontem.

A companhia aérea enfrenta dificuldades econômicas e financeiras e a empresa estatal de combustíveis Ancap ameaçou há um mês cortar seu fornecimento devido à falta de pagamento de uma parcela do refinanciamento de uma dívida de R$ 37,581 milhões. EFE