CEO do Itaú comenta sobre operação da PF que envolveu funcionário na fraude da Americanas
Executivo afirma confiar no trabalho da Justiça após bancos serem vítimas de uma fraude bilionária
O CEO do Itaú (ITUB4), Milton Maluhy Filho, afirmou em entrevista coletiva à imprensa nesta quarta-feira, 5, que todo o sistema financeiro foi vítima da fraude contábil atribuída à antiga gestão da Americanas. A declaração foi feita após questionamentos sobre a segunda fase da Operação Disclosure, da Polícia Federal (PF), que investiga a participação de executivos de instituições financeiras no esquema.
Em junho, a Polícia Federal deflagrou, em conjunto com o Ministério Público Federal (MPF), a segunda fase da Operação Disclosure, que busca aprofundar as investigações sobre as supostas fraudes contábeis da Americanas , estimadas em cerca de 54 bilhões de reais.
Na ocasião, a PF cumpriu mandados contra Eduardo Saggioro Garcia, Paulo Alberto Lemann e Carlos Alberto Sicupira, acionistas de referência da varejista. Em nota, os acionistas de referência disseram na época que foram surpreendidos pela operação. Segundo eles, as investigações indicam que o Conselho de Administração e os acionistas de referência foram continuamente enganados e induzidos a erro pela antiga diretoria da companhia.
No setor financeiro, também foram alvos da operação Alexandre Abdo e André Almeida (executivos do Santander), Carlos Henrique Villela Pedras (executivo do Bradesco) e José Rudge (executivo do Itaú). Os detalhes da investigação foram apresentados nesta reportagem.
Questionado durante a teleconferência de resultados sobre a eventual participação de um executivo do Itaú no caso e se o banco teria obtido algum benefício com as operações investigadas, Maluhy rejeitou essa hipótese. Segundo ele, todos os agentes envolvidos nas relações comerciais com a Americanas — com exceção dos responsáveis pela administração da companhia, caso as acusações sejam confirmadas — foram vítimas da fraude.
“É importante pontuar que o sistema financeiro, como um todo, teve perdas bilionárias nesse caso. Como os bancos poderiam ser coniventes com uma fraude na qual eles próprios perderam bilhões de reais?”, apontou o CEO do Itaú.
Maluhy acrescentou que, mesmo considerando as receitas obtidas com as operações de risco sacado, o saldo para as instituições financeiras foi amplamente negativo. “Fazer uma fraude que levaria você a perder bilhões de reais é ilógico”, disse.
Por fim, o CEO do Itaú afirmou confiar no trabalho da Justiça e disse acreditar que a nova fase da Operação Disclosure esclarecerá os fatos investigados pela Polícia Federal.







