CEO do Bradesco quebra o silêncio sobre fraude da Americanas e operação da PF
Marcelo Noronha fala sobre o assunto após operação da Polícia Federal que teve um executivo do Bradesco entre os alvos
O CEO do Bradesco (BBDC4). Marcelo Noronha, afirmou em entrevista coletiva com a imprensa nesta quinta-feira, 6, que os bancos foram vítimas de uma fraude contábil na Americanas em 2023 e que confia no trabalho da Justiça. A fala foi proferida após questionamentos de VEJA Negócios sobre a operação da Polícia Federal que atingiu um executivo do Bradesco no fim de junho.
“Nós, os bancos, fomos vítimas nesse caso da Americanas. Deixa a Justiça trabalhar, confio no trabalho da Justiça”, afirmou Marcelo Noronha.
Em junho, a Polícia Federal deflagrou, em conjunto com o Ministério Público Federal (MPF), a segunda fase da Operação Disclosure, que busca aprofundar as investigações sobre as supostas fraudes contábeis da Americanas , estimadas em cerca de 54 bilhões de reais.
Na operação, Carlos Henrique Villela Pedras, executivo do Bradesco, foi alvo da Polícia Federal. Outros executivos dentro do sistema financeiro também foram atingidos, como Alexandre Abdo e André Almeida (executivos do Santander) e José Rudge (executivo do Itaú).
CEO do Itaú também se manifestou sobre fraude na Americanas
Ontem, o presidente do Itaú (ITUB4), Milton Maluhy Filho, afirmou que o sistema financeiro foi vítima da fraude contábil atribuída à antiga gestão da Americanas. Segundo o CEO do Itaú, todos os agentes envolvidos nas relações comerciais com a Americanas — com exceção dos responsáveis pela administração da companhia, caso as acusações sejam confirmadas — foram vítimas da fraude.
“É importante pontuar que o sistema financeiro, como um todo, teve perdas bilionárias nesse caso. Como os bancos poderiam ser coniventes com uma fraude na qual eles próprios perderam bilhões de reais?”, apontou o CEO do Itaú.
Durante a operação em junho, a PF também cumpriu mandados contra Eduardo Saggioro Garcia, Paulo Alberto Lemann e Carlos Alberto Sicupira, acionistas de referência da varejista. Em nota, os acionistas de referência disseram na época que foram surpreendidos pela operação.
Segundo eles, as investigações indicam que o Conselho de Administração e os acionistas de referência foram continuamente enganados e induzidos a erro pela antiga diretoria da companhia. Vale lembrar que a própria Americanas não foi atingida pela operação de junho.







