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CEO do Bradesco faz promessa ao mercado apesar da alta da inadimplência

Ações da companhia caem no pregão com mercado preocupado com qualidade do crédito concedido diante de cenário desafiador

Bruno AndradePor Bruno Andrade Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 6 ago 2026, 11h58 | Atualizado em 6 ago 2026, 12h06
CEO do Bradesco faz promessa ao mercado apesar da alta da inadimplência Priorizar nos meus resultados Google

O CEO do Bradesco (BBDC4), Marcelo Noronha, afirmou que o banco deve entregar, em 2026, todos os indicadores de crescimento (guidance) próximos ao limite superior das projeções divulgadas ao mercado. A declaração foi feita durante entrevista coletiva à imprensa nesta quinta-feira, 6, após o banco reportar alta na inadimplência e nas provisões em um cenário macroeconômico desafiador para o crédito, marcado por juros elevados e alto endividamento de famílias e empresas.

Na avaliação do executivo, a estratégia adotada desde o início de 2024 continua produzindo resultados consistentes e deve permitir ao banco cumprir suas metas mesmo em um ambiente econômico mais restritivo.

Na quarta-feira, 5, o Bradesco reportou lucro líquido recorrente de 7,05 bilhões de reais no segundo trimestre de 2026, alta de 16,2% em relação ao mesmo período do ano passado. A rentabilidade do banco, medida pelo retorno sobre o patrimônio líquido (ROE, na sigla em inglês), alcançou 16,2%, avanço de 1,6 ponto percentual em 12 meses.

O banco registrou o décimo trimestre consecutivo de crescimento do lucro e da rentabilidade, dando continuidade ao plano de transformação conduzido por Noronha. A carteira de crédito expandida encerrou o segundo trimestre em 1,13 trilhão de reais, crescimento de 11,6% na comparação anual. Na pessoa física, a expansão foi de 8,4%, enquanto na pessoa jurídica o avanço chegou a 14,1%.

Durante a coletiva, Noronha afirmou que o banco continuará priorizando linhas de crédito consideradas mais seguras e manterá uma postura seletiva nas novas concessões. Segundo ele, o cenário econômico deve permitir mais um corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), levando os juros para 13,75% ao ano.

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“Os indicadores de inflação mostram desaceleração em razão da taxa real de juros elevada. A Selic em dois dígitos ajudou a reduzir a inflação e, por isso, enxergamos espaço para mais um corte de 0,25 ponto percentual”, afirmou.

Inadimplência e provisões seguem no radar

Apesar da melhora operacional, o ambiente de crédito continua desafiador. A inadimplência acima de 90 dias subiu 0,2 ponto percentual na comparação anual e encerrou o trimestre em 4,3%.

Como consequência, as Provisões para Devedores Duvidosos (PDD) cresceram 22,6% em relação ao mesmo período do ano passado, totalizando 9,98 bilhões de reais.

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Questionado por VEJA Negócios sobre a alta das provisões e da inadimplência, Noronha afirmou que parte desse movimento decorre da implementação da Resolução CMN nº 4. 966, que exige o reconhecimento antecipado das perdas esperadas à medida que a carteira de crédito cresce.

Sobre a inadimplência, o executivo destacou que parte relevante do aumento está relacionada a operações garantidas pelo Fundo Garantidor para Investimentos (FGI) e pelo Fundo Garantidor de Operações (FGO).

“Esses atrasos tendem a ser ressarcidos entre 120 e 180 dias pelos fundos garantidores, por se tratarem de programas governamentais. Como esse prazo é superior a 90 dias, a inadimplência acaba sendo pressionada temporariamente”, explicou.

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Mesmo com essa justificativa, a reação do mercado foi negativa. Por volta das 11h30, as ações do Bradesco recuavam 2,16%, cotadas a 17,66 reais. Na avaliação dos analistas do Safra, as provisões vieram acima das expectativas e poderiam ter sido ainda maiores caso refletissem integralmente o aumento da inadimplência e a migração de operações para os estágios 2 e 3 de risco.

“Isso indica um nível de estresse maior do que o sugerido apenas pela linha de provisões, além do aumento de 0,3 ponto percentual da inadimplência de curto prazo na comparação trimestral”, afirmam Daniel Vaz e Rafael Nobre, em relatório.

O que esperar do Bradesco no 2º semestre?

Para os próximos trimestres, Noronha afirmou que o banco continuará expandindo a carteira em linhas consideradas mais seguras, como crédito imobiliário, operações com garantia e cartões voltados ao público de maior renda.

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Em contrapartida, o Bradesco pretende reduzir o ritmo de crescimento em modalidades de maior risco, como o crédito pessoal. “Vamos crescer em um ritmo menor nessa linha, inclusive na alta renda. É uma linha sem garantias e queremos reduzir sua participação na carteira”, afirmou.

A expectativa é de desaceleração do crescimento da carteira no segundo semestre. Hoje, a expansão de 11,6% supera o guidance divulgado pelo banco, que prevê crescimento entre 8,5% e 10,5% em 2026. “Esperamos uma convergência de todas as linhas para dentro do guidance, próximas ao topo das projeções”, concluiu.

Em suma, o Bradesco voltou a apresentar crescimento do lucro e da rentabilidade, reforçando a recuperação iniciada em 2024. Ao mesmo tempo, o avanço da inadimplência e das provisões continua sendo o principal ponto de atenção para os investidores. A administração, porém, sustenta que parte dessa pressão decorre de mudanças regulatórias e de operações garantidas por fundos públicos e mantém a expectativa de encerrar 2026 com os indicadores próximos ao limite superior das metas divulgadas ao mercado.

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