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CEO de gestora da Faria Lima cria rede feminina para ampliar liderança e enfrentar misoginia

Fundadora da Oryx Capital lança comunidade para conectar executivas, empreendedoras e investidoras após relatar desafios enfrentados ao longo da carreira

Por Carolina Ferraz Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 13 jul 2026, 15h10 | Atualizado em 13 jul 2026, 15h48
CEO de gestora da Faria Lima cria rede feminina para ampliar liderança e enfrentar misoginia Priorizar nos meus resultados Google

A fundadora e CEO da Oryx Capital, Verônica Pimentel, anunciou a criação de uma comunidade voltada exclusivamente para mulheres em posições de liderança com o objetivo de ampliar conexões profissionais, estimular novos negócios e enfrentar barreiras ainda presentes no mercado financeiro. A iniciativa surge em meio ao debate sobre a baixa representatividade feminina em cargos de comando e busca reunir executivas, empreendedoras, sócias e investidoras em uma rede de apoio e influência.

Segundo a gestora, a ideia nasceu da própria trajetória profissional. Ao longo da carreira, ela afirma ter frequentemente sido a única mulher em salas de reunião, tanto na universidade quanto em instituições financeiras da Faria Lima. “Durante toda a minha trajetória, muitas vezes fui a única mulher na sala. Isso me fez perceber que inúmeras líderes enfrentam exatamente a mesma situação. Quero construir um ambiente onde essas mulheres possam trocar experiências, criar negócios e crescer juntas”, afirma.

A executiva também relata episódios de machismo vividos ao longo da carreira. Entre eles, perguntas sobre maternidade durante processos seletivos, comentários sobre sua aparência e situações em que clientes direcionavam questões técnicas a colegas homens, mesmo sabendo que ela era a responsável pelas decisões de investimento da gestora. “Em diversas reuniões, clientes direcionavam perguntas técnicas para homens da minha equipe, mesmo sabendo que eu era a fundadora e responsável pelas decisões de investimento”, diz. Segundo Verônica, em algumas ocasiões ela passou a levar um diretor homem para reuniões por perceber que a presença masculina transmitia maior confiança inicial aos clientes.

Outro ponto destacado pela executiva é a cultura informal do mercado financeiro. Para ela, muitas relações profissionais e oportunidades de negócios continuam sendo construídas em ambientes predominantemente masculinos, dificultando a inserção das mulheres em espaços de influência. “Os homens fechavam contratos nos happy hours, nos jantares privados e, muitas vezes, até em prostíbulos. Eram nesses ambientes que se fortaleciam relações que depois se transformavam em negócios e oportunidades profissionais. Mulheres não terão o mesmo espaço se essa cultura continuar excluindo sua participação”, afirma.

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Os dados refletem esse cenário. Levantamento da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) mostra que as mulheres representam 35,4% dos profissionais do mercado financeiro, mas ocupam apenas 5,4% dos cargos de CEO. A comunidade idealizada pela executiva pretende oferecer encontros presenciais e virtuais voltados à troca de experiências, mentorias, networking e geração de negócios entre mulheres que ocupam posições estratégicas em empresas ou atuam no mercado de investimentos.

Apesar dos desafios, Verônica avalia que a presença feminina no mercado financeiro vem crescendo. Dados da B3 mostram que, somente em 2025, cerca de 55 mil mulheres passaram a investir em renda variável. Atualmente, elas representam aproximadamente 26% dos investidores da bolsa brasileira. Para a fundadora da Oryx Capital, o aumento da participação feminina como investidora também precisa ser acompanhado por uma maior presença das mulheres nos espaços de decisão. “A mulher sempre foi incentivada a confiar seu patrimônio aos homens. Precisamos criar um ambiente em que elas também confiem umas nas outras para investir, empreender e liderar empresas”, afirma.

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Segundo ela, fortalecer essas conexões deixou de ser apenas uma pauta de diversidade e passou a representar uma estratégia para ampliar a participação feminina nos ambientes onde são tomadas as principais decisões econômicas. “Meu objetivo é fazer com que, no futuro, nenhuma executiva precise sentir que está sozinha para ocupar esse espaço”, conclui.

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