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CENáRIOS-Medidas cambiais têm efeito limitado sobre inflação

Por Da Redação 28 jul 2011, 15h32

* 30% de itens do IPCA podem ter impacto de dólar

* Alta do dólar seria ruído a mais para a inflação

Por Vanessa Stelzer

SÃO PAULO, 28 de julho (Reuters) – As recentes medidas do governo brasileiro para conter a alta do dólar ante o real, embora não devam ter um efeito significativo de pressão sobre a inflação, serão um ruído a mais para os preços. Sem elas, o câmbio poderia contribuir mais para a contenção dos índices, avaliam especialistas.

Cálculos mostram que o impacto de uma alta do dólar na inflação ao consumidor poderia ser de até 0,30 ponto percentual no IPCA. Trata-se de um valor elevado, mas que aconteceria apenas em momentos de maior estresse, como uma crise financeira. No momento atual, de estabilidade econômica e competição de importados, as chances de isso virar realidade são bem menores.

“Para ter efeito sobre inflação, você tem que ter uma desvalorização (do real) consistente. O dólar tem que subir por mais de um mês e depende da magnitude”, avaliao economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini.

“Mas, ainda assim, isso não acontece automaticamente, depende dos preços lá fora. Se os preços estiverem caindo, diminui o impacto aqui. Enquanto se estiverem em alta, potencializa aqui”, acrescentou ele.

Na quarta-feira, o governo divulgou a mais dura ação já tomada no câmbio, a fim de evitar mais especulações e, consequentemente, mais valorizações do real sobre o dólar. A medida impõe uma taxação de 1 por cento sobre as operações de derivativos cambiais feitas por investidores brasileiros e estrangeiros no país. A alíquota, no entanto, poderá ser elevada a até 25 por cento.

O mercado acredita que as medidas podem não ter impacto muito significativo para conter a queda do dólar, já que o problema tem aspectos também externos, como a fraqueza mundial da moeda norte-americana. Mas, se causarem uma apreciação mais consistente do real, pode impactar a inflação.

Na quarta-feira, o dólar subiu 1,35 por cento, a maior puxada em um ano. Antes disso, a moeda norte-americana já havia fechado na casa de 1,53 real, a menor em 12 anos. Às 15h30 desta quinta-feira, ainda mantinha o movimento de alta, com 0,36 por cento, a 1,5651 real.

Agostini lembra que cerca de 30 por cento dos itens do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) podem sofrer algum impacto do dólar, enquanto nos Índices Gerais de Preços do Mercado (IGPs), formados em 60 por cento pelo atacado, dois terços dos itens podem ser atingidos.

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Assim, no IPCA, pode-se calcular que a cada 1 ponto percentual de alta do dólar há um risco potencial de aumento da inflação de 0,3 ponto. Esse cenário, no entanto, somente se concretizaria em momentos de muito estresse, diferentemente do agora.

“Num primeiro momento, você tem um impacto nos IGPs, que têm mais produtos em dólar, e você tem um impacto menor no varejo”, afirmou economista da Tendências Consultoria Silvio Campos Neto.

PODE “ATRAPALHAR”

O dólar caiu cerca de 6 por cento ante o real neste ano, tendo algum efeito para baixo na inflação do período, sobretudo no atacado.

“Se você tiver algum efeito de apreciação cambial, você perderia essa ajuda para a inflação. Se o governo não estivesse tomando medidas, o câmbio estaria abaixo de 1,50 real, o que ajudaria mais a inflação”, acrescentou Neto.

Assim como no movimento de alta, a queda do dólar também precisa ocorrer em ritmo razoável e constante para impactar a inflação, e não necessariamente a não adoção de medidas já teria algum efeito na inflação. Mas qualquer notícia indo no lado oposto é mais um ruído para a inflação.

O assunto atualmente é fonte de preocupação constante do governo já que as expectativas do governo seguem acima do centro da meta perseguido em 2011 e 2012, de 4,5 por cento pelo IPCA. Por isso, o Banco Central (BC) está adotando medidas de aperto monetário e de crédito.

“É uma coisa a mais para atrapalhar. É claro que é ruim para a inflação se uma apreciação do câmbio se traduzir em uma aceleração da inflação”, disse o economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa.

O foco da inflação, no entanto, segue sobretudo na demanda doméstica, que apesar de não estar crescendo tanto quanto antes das medidas de aperto do governo, ainda segue forte.

“A dinâmica da inflação hoje está mais pautada nos fundamentos do mercado de trabalho e nos fundamentos domésticos”, acrescentou economista sênior do Espírito Santo Investment Bank, Flávio Serrano.

(Edição de Patrícia Duarte)

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