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Cemig descarta interesse em empresas do Grupo Rede

Por Mariana Durão

Rio – O diretor de Finanças e Relações com Investidores da Cemig, Luiz Fernando Rolla, descartou interesse da companhia por ativos do Grupo Rede, caso da Centrais Elétricas do Pará (Celpa). “A empresa está em dificuldades financeiras (recuperação judicial), então não tem como”, disse durante a 18ª Conferência Anual da International Corporate Governance Network (ICGN), no Rio, embora tenha reforçado que a empresa sempre estuda oportunidades.

Em relação à compra da fatia de 39% da espanhola Iberdrola na Neoenergia, o executivo afirmou que a Cemig não pretende “bater na porta” da empresa com uma proposta de aquisição antes que a companhia estrangeira manifeste seu interesse em vender. “Se não tem interesse do vendedor, então não adianta querer comprar”, afirmou.

Segundo o executivo, a Cemig e a Iberdrola não sentaram para discutir o assunto. Na avaliação do diretor, é inviável fazer uma proposta por uma companhia como a Neoenergia, que não é listada em Bolsa, sem que o vendedor forneça informações sobre seu resultado.

A Cemig avalia mais de cem oportunidades de aquisição atualmente. Em 2011, a empresa ultrapassou o limite de 40% da parcela do Ebitda que pode ser voltada para investimentos e aquisições. O porcentual chegou a 71,7% e teve que ser aprovado em assembleia. Segundo o diretor da companhia, a meta é sempre se permanecer no limite para manter o grau de investimento duplo A, e atrair capital de fundos de pensão e investidores de longo prazo.

Conteúdo local – De acordo com o executivo, o estabelecimento de uma política de conteúdo local para o setor de energia elétrica seria extremamente saudável para o País.

O executivo demonstrou preocupação especial quando indagado sobre o avanço da chinesa do setor de energia State Grid no Brasil. Para ele, a filosofia dos chineses, que inclui não só a compra de ativos, mas a participação direta em sua construção, inclusive trazendo equipamentos mais baratos de seu país, demanda atenção do governo brasileiro.

“O governo é que tem que dizer quais os limites ou setores em que os chineses vão poder investir”, disse ele, para quem esse tipo de decisão faz parte da política industrial que o governo pretende seguir.