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Caso Bel Pesce reaviva críticas aos ‘empreendedores de palco’

Termo indica palestrantes que cativam em suas apresentações, voltadas a empresários iniciantes, mesmo que muitas vezes baseadas apenas em frases de efeito

Após o fracasso da operação de financiamento coletivo para criar uma hamburgueria, a palestrante Bel Pesce – sócia na empreitada do blogueiro Zé Soares e de Leo Young, vencedor do reality show MasterChef – foi questionada publicamente sobre seu currículo. Em seguida, ela corrigiu informações sobre sua formação e experiência profissional. Esse recuo fez com que seus críticos acusassem a paulistana de ser apenas mais uma representante do chamado “empreendedorismo de palco” – e o caso fez recrudescer as críticas a esse universo de oradores profissionais.

O termo empreendedorismo de palco é usado pejorativamente para se referir a palestrantes que são bons de apresentação, emocionam e cativam o público, mas que em muitos casos não teriam conteúdo a agregar além de frases de efeito e ideias vazias. Afinal, dá para saber se a palestra deles vai ensinar ou é apenas autoajuda? Dizer se a experiência e o currículo que alguém apresenta são suficientes para garantir uma boa palestra é um julgamento muito pessoal e abstrato. Mas há pistas.

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No caso Bel Pesce, os pontos de maior controvérsia em seu currículo, e que deram argumentos aos detratores, foram o número de diplomas e o papel que teve em algumas das empresas em que trabalhou. Antes da polêmica, sua página pessoal dizia que ela possui cinco formações pelo renomado Massachusetts Institute of Technology (MIT). Agora, sabe-se que são dois diplomas do tipo majors, que podem ser comparados a uma graduação, e dois minors, uma formação mais curta.

Sem citar nomes, Bob Wollheim, autor do livro Nasce um Empreendedor, diz que uma saída para identificar um empreendedor de palco é analisar se o palestrante apresenta dados de desempenho que justifiquem o sucesso que diz ter, como aumento de faturamento, vendas ou investidores. Além do aspecto motivacional, é preciso que o conteúdo seja aplicável. Não basta ter uma boa ideia, se ela não vier acompanhada de uma boa gestão. “O WhatsApp não foi o primeiro messenger, o Facebook não foi a primeira rede social”, compara.

Sua página pessoal citava também passagens por empresas como Google e Microsoft, além de ser ela uma das fundadoras de uma empresa posteriormente vendida por mais de 50 milhões de dólares, a Lemon. O período nas duas gigantes de tecnologia foram estágios. Na Lemon, ela de fato podia ser considerada fundadora, como esclareceu Wences Casares, criador da empresa, mas só agora ficou claro que ela entrou na equipe quando o projeto já havia sido iniciado.

Procurada pelo site de VEJA, a empreendedora informou, por meio de sua assessoria, que o que ela tinha a falar sobre o assunto estava em um texto postado no site Medium. Na nota, Bel Pesce pede desculpas aos leitores que possam ter se sentido desrespeitados por não saber dos detalhes de sua carreira e deu mais informações sobre si.

Críticas e controvérsias

Assim como Bel Pesce, Luiz Marins, um veterano das palestras motivacionais voltadas a empreendedores, também já teve seu currículo questionado. Em 2001, a revista EXAME, do Grupo Abril, que edita VEJA, fez uma reportagem mostrando divergências em relação a itens da sua formação como um Phd na Austrália, que na verdade era um curso diferente daquele que equivale a um doutorado. E outro na renomada London School of Economics – que se tratava de um curso introdutório à economia feito também no país da Oceania, mas em uma instituição parceira da escola londrina. Ele dizia ter filiais da sua empresa no exterior, a Anthropos, que na verdade eram representações comerciais sem funcionários.

Os paralelos entre Marins e Pesce não se restringem à controvérsia sobre o currículo. Suas palestras são recheadas por raciocínios como “o perigo não é você pensar grande, mas pensar pequeno” e “sem entusiasmo, o sucesso é impossível”. Procurado pela reportagem, Marins disse que não poderia responder ao pedido de entrevista.

O pouco tempo de experiência ou eventuais fracassos de empreendimentos criados não são aspectos necessariamente negativos. Afinal, o palestrante pode se embasar em experiências de terceiros, ou mesmo em seus próprios erros, para ensinar o caminho das pedras à plateia. “Tem gente que tem uma capacidade analítica impressionante”, diz Wollheim .

Durante o caso Bel Pesce, um dos nomes citados nas redes sociais pelos críticos do chamado empreendedorismo de palco foi o de Cris Franklin. Em sua página no Facebook, ela tem 1,7 milhão de seguidores – e um currículo que informa, de maneira lacônica, que ela é “empreendedora digital há mais de onze anos, especialista em vendas pela internet e criação de negócios digitais“. Sabe-se, por seus vídeos, que ela começou a empreender – não fica claro em quais atividades – quando cursava a faculdade de farmácia. E sabe-se também que seu pensamento empresarial inclui mantras como “a gente tem que acreditar que é possível – porque é” e “é preciso desenvolver o ‘mindset’ para fazer as coisas acontecerem”.

Ao site de VEJA, ela disse, por email, que recebe bem as críticas. “A minha vida toda sempre ralei muito até estabelecer um método que funcionasse redondinho”, afirma. “A faculdade dá muito conhecimento teórico, e nós queremos complementar muitas vezes o conhecimento desse aluno com conhecimento prático. Seu te contar quantas vidas que vi mudarem, dá horas de conversa.”

Tentativa e erro

O ambiente relativamente novo dos negócios na internet, campo de atuação de palestrantes como Cris Franklin, abre espaço para uma lógica mais parecida com tentativa e erro em vez de um planejamento prévio, mais tradicional. Marcelo Aidar,  coordenador adjunto do Centro de Empreendedorismo e Novos Negócios da FGV (FGVCenn), diz que o sucesso de empresas que tomaram caminhos não convencionais, como a Apple, pode explicar a opção pelo método mais intuitivo. Ele se aplica, no entanto, a casos específicos.

“Não tinha como o Steve Jobs fazer uma pesquisa de mercado para saber se o tablet daria certo”, compara. Mas é o sonho de fortuna e realização que move muitos dos espectadores de palestrantes motivacionais – sejam eles empreendedores de palco ou não.

Comentários

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  1. Haddammann Veron Sinn-Klyss

    É como o malafrários e pastutos da vida, que depois de pegarem cópias roubadas por seus ‘fiéis’ do que “ciêrntístas du diábu” escrevem aí enchem livrinhos de ‘aurto-ajuda-prus-fiéur’ com frases inteiras plagiadas e empanturram os bolsos de dinheiro e compram Hilux enchem de capangas e cercam nas ruas quem tem coragem de dizer o que são e fazem. Esses fajutos, via de regra, CRÁPULAS, lesam muitos milhares de pessoas, pois são farsantes, falastrões, e nem sequer dispõem de know-how de esforço autodidata, se ‘agaranti nu dom di robá i inganá us trôxa’ e difamar àqueles que foram roubados, dos quais foram tirados direitos até de ir -e-vir, pois seus capangas (pagos com o próprio dinheiro roubado da vítima perseguida) espreitam dia e noite tocando o inferno ‘amado’ e ‘ajudado’ por seus ‘fiéis’ seguidores.

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  2. Alien do Marketing

    Pesquisem por Erico Rocha, Goffi e outros, vão perceber que a ‘safra’ de empreendedores de palco é maior do que se imagina

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  3. Bel Pesce, a “Menina do Vale-Tudo”, é só mais um indicativo do tipo de pessoa que os brasileiros se tornaram: tolos imaturos que correm atrás de celebridades cheias de obviedades que soam de forma carinhosa. Por isso votamos em políticos pilantras, por isso aceitamos promessas sem fazer maiores questionamentos, por isso pagamos por conselhos fúteis das Pesces da vida.

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  4. Maria Batista

    Olá, gostei da matéria mas está faltando uma matéria profundamente investigativa. No Brasil as pessoas, os empresários, e a mídia não estão colaborando para o real crescimento do país. Os empresários que tiveram sucesso estão usando as redes sociais para divulgar mensagens de força e perseverança quando na verdade eles têm que investir o dinheiro para melhorar a condição do país e das pessoas o que significa gerar emprego, aumentar a produção, preços competitivos, e uma ajuda mais efetiva para as pessoas que realmente precisam. Aqui na Brasil, muitos empresários ficam ricos graças as pessoas que adquirem os produtos. No entanto, quando eles estão no auge eles vendem o negócio e aplica o valor em outro país e o pior as pessoas ainda elogiam. A verdadeira ajuda deve ser feita no silêncio e na calada da noite mas no final deve ter uma “explosão positiva” para todos. Este “mau” exemplo do empreendedorismo tornam as pessoas mais incompetentes porque inconscientemente nós achamos que estamos tirando algum proveito dos “chavões” de palco mas na verdade a grande lição que fica é que a coisa só é boa para quem está lá pulando e divertindo a plateia e iludindo um povo que aprendeu a ser iludido. Nós podemos encontrar uma pessoa que diz que tal “guru” foi importante na vida dele mas o que realmente acontece é que cada ser humano tem um “time” diferente do outro. As vezes, alguém pode comentar que aquele palestrante mudou a vida dele, no entanto, quando analisámos profundamente nada mudou. Qualquer um pode dizer que assistiu tal palestra e por causa disto abriu o próprio negócio. WOW! Podemos chamar isto de uma falta de percepção de sí próprio porque qualquer pessoa que tenha uma idéia, ela precisa de um tempo para amadurecer esta idéia. Infelizmente, nós somos movidos pela dinâmica mental do palestrante para pensar que ele gerou resultado. Façam um balanço de todas as suas experiencias adquiridas ao longo da vida e percebam que vocês sao muito capazes basta trabalhar muito que todo mundo consegue o que quer. Sendo assim é insano dizer que alguém precisa de “chavões” para sair da zona de conforto porque cada um age no seu tempo exato. Os oportunistas estão em todas as partes remontando “cases” de sucesso, vendendo revistas, livros, e receitinhas para o dia-a-dia. Sabem o que eles fizeram além de ganhar dinheiro eles estão ajudando a disseminar que tudo é fácil quando na verdade não é. Todo dia, alguém cria uma nova página na internet para continuar com “mimimi” de auto ajuda. Vamos literalmente colocar a mão na enxada e reconstruir este país colaborando para uma maior igualdade econômica. Este empreendedorismo de palco está se transformando em uma grande “máfia” de privilegiados onde um passa a mão na cabeça do outro e o conteúdo sempre é “zero”. Eu creio que a mídia tem que perceber alguns erros grotescos que eles mesmos estão ajudando a disseminar. Outro dia, uma mulher dormiu com um certo corredor e virou estrela nacional sendo até convidada para fazer um “reality show” em outro país. OMG! Nós somos os responsáveis por estas e outras calamidades que estão acontecendo. TUDO ISTO NÃO ESTÁ LEVANDO A NADA ao contrário está ajudando a desmoralizar ainda mais o povo brasileiro! Apesar de vocês terem abordado alguns pontos importantes ainda faltou um aprofundamento maior em várias questões que possam ajudar a melhorar o entendimento das pessoas contra o fanatismo imediatista.

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  5. Maria Barbosa

    É NORMAL que revista golpista que defende os interesses dos megaempresários e dos banqueiros, apos derrubar um governo de bem-estar social se volte também contra os empreendedores que pensam fora da caixa, faz parte do medo fascista que o conservadorismo tem em relação ao novo. É só pesquisar por exemplo as humilhações sofridas por Henry Ford, por gentinha conservadora de direita em sua época.

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  6. Se o Bambam do BBB e o Kiko do KLB podem ser Coachs, deixa essa mocinha ser Coach também tadinha. Quanto analfabeto do Polishopcomvocê não faz coaching Brasil afora enganando incautos e ninguém fala nada? A Bel pelo menos é charmosinha

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  7. Nada mais que palestrantes que vendem falácia, por terem o dom da oratória. Ocos como casca de ovo!

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  8. Steve Jobs me pareceu um aspecto decisivo em todo o artigo. Com ele deu certo.

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  9. Maria Barbosa, você é pândega… As esquerdas sempre arrasam com a Economia dos países onde conseguem começar a colocar em prática suas irreais idéias de carochinha que parecem brigar com a realidade… Com o Brasil do PT nao foi diferente.

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  10. Pavel Checov

    Maria Barbosa, mas do $ deles, para sustentar o bando de vagabundos do PT, você gosta, não é?

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