Casas Bahia promove liquidação com descontos de até 60% após fechar 298 lojas
Com dívidas de mais de 17 bilhões de reais, a varejista apresentou pedido de recuperação judicial no domingo à noite
A Casas Bahia, que apresentou seu pedido de recuperação judicial na noite de domingo 16, está promovendo um grande leilão de produtos oriundos das 298 lojas físicas fechadas como parte da reestruturação. Móveis, eletrônicos, aparelhos celulares e eletrodomésticos estão sendo oferecidos com descontos de até 60% na plataforma Kwara, responsável pelo leilão. Como o leilão é online, os interessados poderão apresentar seus lances até as 15 horas da próxima quinta-feira, 20.
No edital do leilão, a Kwara esclarece que os produtos não adquiridos não terão garantia, nem serão aceitos pedidos de troca ou devolução. Se um interessado vencer o leilão e desistir de adquirir a mercadoria, será cobrada uma multa equivalente a 30% do valor do lance apresentado. O pagamento deve ser feito em até um dia útil, via Pix. A retirada dos bens arrematados deverá ser agendada com a Kwara e os compradores arcarão com as despesas de transporte.
Tais restrições têm levado a um baixo número de lances em alguns produtos, com diversas ofertas contando com apenas um ou dois interessados até o momento.
Com dívidas de mais de 17 bilhões de reais, a Casas Bahia acumulava dificuldades decorrentes do cenário macroeconômico e de mudanças no comportamento dos consumidores. Como era previsível, as elevadas taxas de juros pressionam a companhia de duas formas. De um lado, encarece o crediário para os potenciais clientes e, com isso, reduz as vendas. De outro, onera o custo de capital da própria empresa. O resultado é que, segundo a coluna Radar Econômico, os bancos respondem por 77% da dívida que a levou à recuperação judicial, tendo o Bradesco como o maior credor com cerca de 5 bilhões de reais.
Com os brasileiros comprando cada vez mais pela internet, o avanço do varejo digital também contribuiu para os problemas. Para alguns especialistas em varejo, a Casas Bahia ainda apostava muito nas lojas físicas, enquanto as rivais investiam cada vez mais no e-commerce. O fechamento de quase 300 lojas na esteira da recuperação judicial é um sinal disso.
Em nota a VEJA, a Casa Bahia “informa que os leilões são uma prática recorrente e estão relacionados a produtos do DAT (Departamento de Assistência Técnica). A operação segue normalmente nas lojas físicas e no e-commerce, com foco na continuidade do atendimento e na experiência dos consumidores”.







