Casas Bahia colocou mais de R$ 1 bi em fundo que cobra a empresa na recuperação
Varejista tinha 1,166 bilhão de reais aplicado no IBCB-AF01 dois meses antes da RJ; fundo aparece na lista de credores com 1,085 bilhão de reais a receber
Um dos maiores credores da recuperação judicial da Casas Bahia tinha, até poucas semanas antes do pedido, a própria varejista como seu principal investidor.
O IBCB-AF01 aparece na relação de credores com 1,085 bilhão de reais a receber. Mas as demonstrações financeiras da Casas Bahia mostram que, em 30 de junho, a companhia tinha 1,166 bilhão de reais investido no mesmo fundo — o equivalente a 61,08% de seu patrimônio.
A posição da varejista estava concentrada em cotas subordinadas, que ficam atrás das cotas seniores na ordem de recebimento e funcionam como uma primeira camada de absorção de perdas. Na mesma data, as cotas seniores do IBCB somavam cerca de 743 milhões de reais.
A estrutura ajuda a entender por que o valor listado na recuperação não corresponde simplesmente à exposição de investidores externos à Casas Bahia. A própria companhia informa em balanço que consolida o IBCB em suas demonstrações por controlar decisões relevantes do fundo e carregar parcela significativa de seus riscos e benefícios.
Outro número chama atenção. Em junho, a Casas Bahia registrava 1,913 bilhão de reais em obrigações com o IBCB, entre operações de risco sacado e uma nota comercial. Na recuperação judicial, porém, o fundo aparece com crédito de 1,085 bilhão de reais — uma diferença de cerca de 828 milhões de reais em menos de dois meses.
A diferença pode decorrer de pagamentos, compensações ou de obrigações que ficaram fora do perímetro da recuperação. Mas a companhia ainda terá de explicar como a posição evoluiu entre o fechamento do semestre e o pedido de proteção judicial, apresentado em agosto.





