Carta ao leitor: Quando a mira é para o futuro
A ascensão da TSMC, líder mundial em semicondutores, está apoiada num robusto ecossistema de inovação de Taiwan
O belo skyline, com um prédio que até há poucos anos era o mais alto do planeta, retrata a pujança de um país (ou “província rebelde”, segundo as autoridades da China) que é pequeno em tamanho mas de grande relevância no universo da tecnologia. O editor Ernesto Neves esteve lá no início de julho para conhecer o ecossistema de inovação construído nos últimos cinquenta anos e que projetou a ilha de 36 000 quilômetros quadrados (área menor que a do estado do Rio de Janeiro) e 23 milhões de habitantes como a base global da indústria de semicondutores — dali saem chips que abastecem empresas como Apple, Nvidia, AMD e Qualcomm e que asseguram a operação de itens que vão de smartphones a carros elétricos. São fundamentais também para mover a onda da inteligência artificial. No centro está a TSMC, empresa de 2 trilhões de dólares de valor de mercado, uma das mais bem cotadas do mundo. Ciosa de seus segredos, a companhia não permite visitas, mas Ernesto constatou que suas marcas estão por toda parte na ilha (leia “Colosso digital”, a partir da pág. 26). Esteve com autoridades, acadêmicos, empresários e executivos que, de diversas formas, se ligam à TSMC. É uma teia complexa e exemplar de como conciliar objetivos público-privados e planejamento para obter resultados para o negócio e para o país. A economia local iniciou o ano crescendo à taxa de 15% e a TSMC, embalada pela volúpia de IA, viu o lucro subir 77% no segundo trimestre, para 22 bilhões de dólares (foi de 55 bilhões em 2025 todo).
Esta edição traz também um pacote especial dedicado às Melhores Cidades do Brasil por Região (págs. 35 a 108). Com dados tratados pela agência Austin Rating, o material reúne muitos exemplos, país afora, de administrações que estão criando ambientes estimulantes, agindo de modo responsável com as contas e permitindo o progresso de empresas e cidadãos. De Pomerode (SC) a Luís Eduardo Magalhães (BA) e a Vilhena (RO), há um Brasil vibrante e que se renova, mirando um futuro melhor.
Publicado em VEJA, 31 de julho de 2026, edição VEJA Negócios nº 28







