Carta ao leitor: O valor da consistência que move as melhores empresas do Brasil
TOP30 passa a avaliar balanços de quatro anos consecutivos, reforçando a solidez da premiação
Mais de 9 milhões de CNPJs negativados por compromissos em atraso. Um total de 232 bilhões de reais em dívidas vencidas e não pagas. Esses são alguns dos dados que ilustram a situação difícil de parte relevante do meio empresarial brasileiro no meio deste ano. Terra de muitas oportunidades, o Brasil tem sido nos últimos tempos um ambiente inóspito para quem empreende. Além de um custo de capital quase sem paralelo no mundo, o quadro é composto também de carga tributária sufocante, burocracia intrincada e regras nem sempre claras.
Nesse panorama adverso, destacam-se ainda mais as companhias reunidas nesta segunda edição especial TOP30 — As Melhores Empresas do Brasil. Com a parceria técnica da agência de classificação de risco de crédito Austin Rating, VEJA NEGÓCIOS aponta as trinta empresas que brilharam em seus setores de atividade segundo as informações econômico-financeiras publicadas. Não se trata de análise do balanço de um só ano. Nesta edição, as avaliações consideram quatro anos consecutivos (2022 a 2025) de demonstrações das empresas. A opção por um olhar ampliado sobre os resultados visa a oferecer conclusões mais consistentes sobre o andamento dos negócios.
Apesar de todos os percalços pelo caminho, as 29 vencedoras não financeiras obtiveram em conjunto receita de 369 bilhões de reais e lucro líquido de quase 92 bilhões em 2025. A trigésima campeã é o Itaú Unibanco, protagonista de um novo setor, o de bancos de varejo. A segunda edição do ranking TOP30 possibilitou que despontassem catorze bicampeãs: Ambev, Azzas 2154, Cálamo/Boticário, Claro, EMS, Inpasa, Localiza, Lojas CEM, MRS, PUC-Campinas, Sabesp, Totvs, WEG e 3tentos.
A farmacêutica EMS, por critérios editoriais, é a Empresa do Ano desta vez. Com mais de sessenta anos, criada a partir de uma drogaria, a EMS já está acostumada a figurar entre as líderes. Foi uma das pioneiras e das que mais cresceram na produção de remédios genéricos no Brasil. Agora, tornou-se o primeiro laboratório nacional a lançar uma “caneta emagrecedora”, produto para tratar diabetes e obesidade. Isso depois de se preparar por dez anos, com investimentos de 1,2 bilhão de reais na construção de uma nova fábrica. É uma empresa que está se voltando decididamente para a inovação. “Queremos fortalecer a propriedade intelectual e desenvolver produtos cada vez mais complexos”, diz Carlos Sanchez, principal acionista da EMS, em entrevista na seção Direto ao Ponto (pág. 11).
Disposição para investir, atravessar intempéries, inovar e construir trajetórias consistentes são pontos em comum nas histórias das TOP30. E exemplos valiosos para o Brasil superar suas dificuldades.
Publicado em VEJA, agosto de 2026, edição VEJA Negócios nº 29






