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Carros usados com preço em queda em 16 estados, segundo banco BV: boa hora para comprar?

Em julho de 2026, a maioria dos estados registrou redução nos preços dos usados, segundo índice do banco; condições de crédito, porém, seguem restritivas

Por Felipe Erlich Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 6 ago 2026, 12h35 | Atualizado em 7 ago 2026, 09h46
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Os preços praticados no mercado brasileiro de carros usados deram novos sinais de perda de fôlego em julho. Os preços recuaram em 16 das 27 unidades da Federação, enquanto o IBV Auto, indicador do banco BV que monitora mensalmente os valores dos automóveis leves usados, avançou apenas 0,07% no país. Foi a menor variação mensal registrada desde março de 2025.

O resultado representa uma desaceleração expressiva frente a junho, quando o índice havia subido 0,57%. O movimento pode favorecer quem pretende comprar um veículo usado, diante da redução de preços em boa parte do país, embora o cenário ainda seja marcado por condições restritivas de crédito.

No acumulado de 2026, os usados ainda apresentam valorização de 3,56%. No acumulado dos últimos 12 meses, porém, a alta perdeu força, passando de 6,87% para 6,10%.

Segundo o economista-chefe do banco BV, Roberto Padovani, a quase estabilidade registrada em julho mostra uma resposta mais evidente do setor às condições econômicas. Entre os fatores que ajudam a explicar o movimento estão a maior competição das montadoras chinesas, a redução dos preços dos veículos novos, as restrições ao crédito, a desaceleração do mercado de trabalho, o avanço da inadimplência e o elevado comprometimento da renda das famílias.

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Preços caem em 16 estados

A perda de força não ocorreu de maneira uniforme pelo país. O Nordeste apresentou a maior retração regional em julho, de 0,19%. Entre as unidades da Federação, o Piauí teve a redução mais intensa, de 1,08%.

Apenas duas regiões registraram avanço dos preços na comparação mensal: Centro-Oeste, com alta de 0,29%, e Sul, com aumento de 0,22%. O Amapá, por sua vez, apresentou a maior valorização entre os estados, de 0,71%.

O cenário também varia quando considerado um período mais longo. Nos 12 meses encerrados em julho, Pará (+4,14%), Mato Grosso (+4,37%) e São Paulo (+4,46%) tiveram os menores aumentos. Minas Gerais (+7,66%), Rio de Janeiro (+7,65%) e Rio Grande do Sul (+6,51%) aparecem no extremo oposto, com as maiores valorizações.

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Para o banco BV, os números indicam uma nova etapa de ajuste no mercado. Embora modelos populares mais antigos ainda contribuam para sustentar a valorização dos usados, veículos com grande volume de negociações, como Onix, Gol, Uno e Kwid, já apresentam menor pressão de alta.

Celta e Palio sobem; Fox e Compass ficam mais baratos

A desaceleração geral também esconde diferenças importantes entre os modelos. O GM Celta apresentou alta de 2,62% em julho, seguido pelo Fiat Palio, com avanço de 2,20%, e pelo Nissan Kicks, com 1,92%. Esses foram os veículos que mais contribuíram para a alta do índice no mês.

Entre os modelos que exerceram maior pressão de baixa, o VW Fox teve queda de 2,01%, enquanto o Jeep Compass recuou 1,74% e o GM Onix, 1,11%.

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Elétricos acumulam desvalorização

Os veículos elétricos continuam sendo os que mais perdem valor no mercado de usados, apesar de sinais recentes de estabilização. Considerando modelos do ano de 2023, a desvalorização acumulada dos elétricos chega a 46,15%.

A perda é significativamente superior à observada entre os híbridos, de 26,85%, e entre veículos comparáveis movidos a combustão, de 21,40%.

Segundo a análise do banco BV, a maior depreciação está relacionada à intensificação da concorrência — principalmente com a expansão das fabricantes chinesas —, à redução dos preços dos carros novos e à rápida evolução tecnológica dos veículos eletrificados. Esses fatores pressionam o valor de revenda dos primeiros modelos elétricos que chegaram ao mercado brasileiro.

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O IBV Auto utiliza informações da base de dados do banco BV e busca acompanhar a variação dos preços dos automóveis leves usados a partir de transações efetivamente realizadas. A metodologia considera fatores como depreciação, amostragem e agrupamento dos modelos, além de permitir análises por região e tipo de propulsão — combustão, híbrida ou elétrica.

O peso de cada veículo no indicador leva em conta o valor total negociado, calculado a partir da combinação entre volume de vendas e preço. Dessa forma, modelos mais caros e com maior número de negociações exercem influência maior sobre o índice.

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