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Carrefour vai começar a suspender venda de ovos de galinhas confinadas

Projeto para comercialização de produtos vindos de animais livres de gaiolas foi implantado na Europa no final de 2017

Por Ana Paula Machado Atualizado em 29 ago 2018, 16h35 - Publicado em 29 ago 2018, 08h08

O Grupo Carrefour vai vender no Brasil ovos de galinhas livres de gaiolas. A rede varejista começou um projeto junto aos seus fornecedores para migrar o sistema de produção convencional, o de confinamento, para esse mais sustentável. O país é o único fora da Europa a adotar a prática. Por lá, o projeto foi implantado no fim de 2017. Paulo Pianez, diretor de sustentabilidade do Carrefour Brasil, disse que a meta é de que até 2028 todos os ovos vendidos nas lojas por aqui sejam produzidos por esse sistema.

“Passamos por uma transição alimentar. Os consumidores querem saber de onde vem e como é produzido tudo o que consomem. Ele está mais exigente, e isso é um processo sem volta. Cada vez mais vamos ter de acompanhar e dar informações aos nossos clientes do que vendemos”, disse o executivo.

Pelo projeto, serão duas etapas a ser implantadas. Até 2025, todos os ovos das marcas próprias serão produzidos a partir deste sistema. Pianez disse que a empresa tem vinte fornecedores de ovos no Brasil e, por meio da medida, a companhia dará todo o suporte aos parceiros para que, em 2028, 100% dos ovos comercializados sejam provenientes do sistema livre de gaiolas.

  • “Daremos todo o suporte para o fornecedor mudar a sua produção, como informações técnicas do novo sistema. Além disso, vamos começar uma campanha junto ao nosso consumidor para apresentar e explicar essas mudanças. Acredito que nos próximos dez anos, os preços dos ovos livres de gaiolas estejam bem próximos aos produzidos pelo método tradicional. Os consumidores estão mais conscientes e a procura vai aumentar”, disse o executivo.

    Segundo ele, hoje 96% dos ovos vendidos no Brasil seguem o método tradicional e os 4% restantes são orgânicos. “As galinhas sofrem muito stress quando estão confinadas. E estamos em um processo de mudar a nossa cultura e oferecer produtos livres de sofrimento animal e sistemas de produção que priorizem o meio ambiente. E não é somente em ovos que estamos implantando esse posicionamento. Já fizemos com a carne bovina e, agora, fizemos um acordo com a Seafood Watch, uma organização não governamental (ONG), para garantir as boas práticas de manejo na criação de pescados”, afirmou Pianez.

    Na produção de pescados, o executivo ressaltou que o Grupo Carrefour vai realizar um diagnóstico para identificar quais são os impactos diretos e significativos na sua cadeia de fornecimento, sobretudo devido ao grande volume de peixe que é comercializado pela companhia todos os anos. De acordo com Pianez, esse projeto é semelhante à iniciativa com os ovos e prevê, também, o acompanhamento e suporte aos fornecedores, a fim de garantir o manejo correto e proteção da biodiversidade, e campanhas de comunicação junto aos clientes.

    “Como varejista, temos a oportunidade de promover profundas mudanças nessa cadeia, incentivando a adoção de boas práticas de aquicultura e manejo, selecionando de forma consciente o sortimento de pescados ofertado ao consumidor e, consequentemente, auxiliando na recuperação e preservação de espécies”, destacou Pianez.

    Para Ana Paula Tozzi, CEO da Consultoria AGR, o Carrefour está seguindo uma tendência mundial de oferecer produtos socialmente amigáveis em suas lojas. “A rede faz o que o mundo já está fazendo. É um caminho sem volta. O consumidor procura produtos mais naturais e menos industrializados. Outras companhias devem seguir o Carrefour”, disse Tozzi.

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