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Carne Fraca: Exportação perde US$ 130 mi em uma semana

China, Chile e Egito voltaram atrás e vão retomar compra de carnes do Brasil, exceto dos 21 frigoríficos investigados

Por Estadão Conteúdo - 26 mar 2017, 08h16

Apenas uma semana após a deflagração da Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, o setor de carnes contabiliza perdas de mais de 130 milhões de dólares. A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), ligada aos setores de aves e suínos, estima uma perda com exportações de 40 milhões de dólares até a sexta-feira. Já o setor de carne bovina, representado pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), embora não tenha um número fechado, estima que pelo menos 96 milhões de dólares em produtos prontos para a exportação estejam parados no Porto de Santos (SP), impedidas de seguir para o exterior.

O presidente executivo da ABPA, Francisco Turra, afirma que a primeira semana da Operação Carne Fraca foi de “impacto muito forte” para o setor. “Virou um momento muito dramático, nunca vi igual, e com dificuldades de se reverter”, diz. “A solução não demandará uma semana ou uma simples palavra oficial.

Tudo o que deixar de ser exportado não tem espaço para ser absorvido (internamente). Então, tem de diminuir produção e reduzir empregos, o que já começa a ocorrer”, afirma.

Na semana passada, a JBS, por exemplo, anunciou a suspensão da produção de carne bovina em 33 de suas 36 unidades no Brasil, e informou que, quando retomar as atividades, a partir de amanhã, as fábricas vão operar com um corte de 35% na produção. Segundo a empresa, isso seria feito para ajustar a produção à demanda em queda.

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Absurdo

Com o bloqueio de vários países às importações de carnes brasileiras, os embarques praticamente ficaram paralisados. O próprio Ministério da Agricultura estimou que a queda chega a mais de 90%. “É uma coisa absurda”, afirmou o ministro Blairo Maggi.

O ministro acredita que as exportações poderão ser regularizadas num prazo entre uma semana e 15 dias. Ainda assim, o prejuízo já ocorreu. No mínimo, os frigoríficos perderam de uma semana a 15 dias nos volumes de produção que haviam programado para este ano.

Maggi estimou durante a semana que as perdas com exportações de carne poderiam chegar a  1,5 bilhão de dólares, se a crise não for solucionada rapidamente.

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Para tentar reverter a situação, o próprio ministro vem trabalhando com a Abiec e a ABPA em busca de estratégias. Uma delas, segundo o presidente da Abiec, Antônio Jorge Camardelli, seria uma missão brasileira aos países que suspenderam as compras da carne brasileira. “A primeira visita, que possivelmente contará com Maggi, seria à China (que ontem anunciou que retomará as importações, exceto dos 21 frigoríficos investigados na Carne Fraca), e depois Hong Kong e Argélia, “importante mercado para o Brasil e que vinha ampliando significativamente as compras desde janeiro”, disse Camardelli.

As vendas de carnes têm peso importante dentro da economia brasileira. No ano passado, responderam por 7,5% do total das exportações do país, com um impacto aproximado de 0,8% do PIB. Por isso, são grandes as preocupações de que essa crise se prolongue por mais tempo.

(Com Estadão Online)

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