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Carlos Lupi confirma que geração de empregos será menor

A meta do governo era de 3 milhões de vagas com carteira assinada, mas ministro já admite que será um número próximo de 2,7 milhões

Por Da Redação - 14 set 2011, 12h34

O ministro do Trabalho e Emprego (MTE), Carlos Lupi, afirmou nesta quarta-feira que o saldo de empregos formais neste ano ficará dentro de um intervalo de 2,7 milhões a 3 milhões. A meta do governo era criar 3 milhões de vagas com carteira assinada.

No ano passado, foram gerados 2,54 milhões de empregos com carteira assinada e servidores públicos. “Tivemos um acréscimo de 400 mil postos com a Rais (Relação Anual de Informações Sociais) no ano passado, que teve o impeditivo de contratações por causa da eleição. Este ano, deve haver mais”, afirmou.

Carlos Lupi acrescentou que os meses de setembro e outubro devem trazer resultados “muito bons” para a geração de empregos com carteira assinada no País. “Não tem nenhum sintoma de diminuição de empregabilidade”, disse. “Se houvesse demissões, seria um sinal de alerta”, falou, enfatizando que tanto o volume de contratações quanto de demissões foram recordes para meses de agosto.

Incomodado com os jornalistas voltando a insistir de que há uma clara tendência de desaceleração do mercado de trabalho, o ministro afirmou: “Há diminuição, mas não recessão. Não há uma queda abrupta”, assegurou. Ele acrescentou que o crescimento do emprego no acumulado deste ano em relação aos estoques de empregos de dezembro de 2010 foi de 5,08%. “Isso é mais que a projeção para o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto), de 4%”, comparou.

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Resultado mensal – Carlos Lupi afirmou que o resultado de geração de vagas formais em agosto foi o menor para o mês dos últimos três anos. De acordo com os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados mais cedo, foram criados 190.466 postos – já descontadas as demissões – no período. Em 2010, o saldo foi de 299.415 vagas e, em 2009, de 242.126. Em 2008, o Brasil gerou 239.123 empregos com carteira assinada e, no ano anterior, 133.329.

Lupi destacou, porém, que o resultado visto no mês passado ficou acima da média obtida para meses de agosto desde o início da série histórica do Caged, em 1992. De acordo com cálculos do Ministério do Trabalho e Emprego, essa média é de 185 mil para o mês.

Indústria – A indústria da transformação puxará o crescimento da geração de empregos nos próximos meses, na avaliação do ministro. Para ele, o principal segmento nesse setor será a indústria de alimentos, que seguirá aquecida com as vendas de final de ano. O ministro também citou como possíveis destaques os segmentos de mecânica, química e de calçados.

Em agosto, a indústria da transformação foi responsável pela geração de 35.914 postos e já mostrou ênfase nos segmentos citados por Lupi. No mês passado, os segmentos de produtos alimentícios criaram 17.441 postos; a indústria química, 6.463; a mecânica, 3.457; e a de calçados, 3.423, que estava sofrendo reduções consecutivas de seus quadros de funcionários. “Quando o governo começa a ter medidas setoriais que trazem benefícios, o resultado é imediato no emprego”, disse o ministro.

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Lupi disse também que o setor de serviços e o comércio devem apresentar crescimento significativo nos próximos meses. “Em números absolutos, é o comércio quem mais puxará”, previu. De acordo com dados de agosto, o setor de serviços foi responsável pela criação de 94.398 postos e o comércio, de 44.336 vagas.

Agricultura – Após acumular um acréscimo de 255 mil empregados com carteira assinada nos primeiros sete meses deste ano, já descontadas as demissões, a agricultura registrou um saldo negativo em agosto de 19.498 postos de trabalho, conforme informações do Caged. O ministro previu que essa tendência de redução do quadro deve se perpetuar até o final do ano, por conta da sazonalidade do setor. “Agricultura deve ser negativa até dezembro”, estimou.

O ministro atribuiu, inclusive, o saldo negativo de emprego no Estado de Minas Gerais no mês passado, o único a ter mais demissões do que contratações em agosto (de 801 postos), à cultura de café. Nos cafezais, as demissões superaram as contratações em 26.698 postos no mês passado. Apenas em Minas, o impacto foi de uma queda de 20.202 vagas ante redução de 3.611 em São Paulo e de 2.138 na Bahia.

De acordo com Lupi, outros segmentos da agricultura, como a pecuária, também deve influenciar negativamente o setor nos próximos meses. “Os Estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste estão nisso. Já no Nordeste não, lá é diferente por causa do clima”, comparou o ministro.

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(Com Agência Estado)

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