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Carlos Ghosn revela suas apostas para países emergentes

Presidente da Renault-Nissan, o brasileiro explica sua estratégia para conquistar consumidores fora dos EUA, da Europa ocidental e do Japão

Por Por Fernando Valeika de Barros, de Frankfurt 12 set 2013, 18h48

O brasileiro Carlos Ghosn, presidente da Renault-Nissan, está de olho cada vez mais comprido no lucrativo mercado dos países emergentes – assim como todo o mercado automobilístico. Ele é o responsável pela estratégia da montadora francesa para conquistar consumidores longe da Europa ocidental, do Japão e dos Estados Unidos. Um de seus lances foi ressuscitar a marca Datsun, da Nissan. A ideia é lançar modelos dessa marca em diferentes mercados. O hatchback popular Go, por exemplo, foi desenvolvido para a Índia e para a África do Sul. Por lá, o modelo custará por volta de 6.700 dólares – pouco mais de 15.000 reais. Outra aposta é produzir sedãs para a Rússia e monovolumes para a Indonésia. Esses carros serão montados em uma plataforma comum ao hatchback March e ao sedã Versa. Ghosn classifica os lançamentos como acessíveis, robustos, modernos e aspiracionais.

“O Brasil também terá carros dentro desta estratégia da Datsun, porém a médio prazo”, afirmou. “Nos próximos meses, a nossa estratégia será implantar a nova fábrica em Resende. Lançar novos modelos seria um desperdício de energia”. Segundo o executivo, não faz sentido pulverizar lançamentos, enquanto a participação dos carros da montadora no mercado nacional não ultrapassar 2,5%. “O mercado brasileiro tem uma relação de 200 automóveis por mil habitantes. Poderia crescer a níveis da Espanha, onde há proporcionalmente duas vezes mais carros, se o governo brasileiro reduzisse as taxas sobre automóveis, que são muito altas”, disse. Confira outros destaques da entrevista com o presidente da Renault-Nissan, concedida no 65º Salão do Automóvel de Frankfurt:

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Mercado Mundial

“Nossa previsão é que sejam vendidos algo como 80 milhões de automóveis em 2013, um aumento anual de cerca de 1,5%. É um pouco menos do que estimávamos. Mercados como Rússia e Brasil cresceram menos do que se previa. A Argentina está enfrentando flutuações cambiais. Por outro lado, Estados Unidos e China mantiveram suas vendas em alta. A Europa dá sinais de ter encontrado uma luz no final do túnel. E o fato de Tóquio ter sido escolhida para sediar as Olimpíadas de 2020 deve ter um efeito positivo sobre o Japão, nos próximos anos. Creio que o pior já passou”

Carro autônomo

“Carros equipados com câmeras e sensores, e sem motoristas no volante, serão a próxima revolução no mundo dos automóveis. Nós já temos protótipos rodando, com resultados bastante satisfatórios. A maior parte dos acidentes tem implicação humana. E este é um desenvolvimento inevitável já que computadores não bebem, não dormem nem se distraem. Acredito que os primeiros modelos possam ser vendidos por volta de 2020, desde que os fabricantes de automóveis conquistem o público e os legisladores. As tecnologias de auxílio à segurança, como sensores e câmeras, estão se desenvolvendo muito rapidamente. Esse tipo de automóvel poderá ter o efeito de trazer para o mercado motoristas com idade mais avançada, que hoje não se arriscam mais a conduzir. Ou seja, pode ajudar a reconquistar consumidores”.

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Carro elétrico

“Automóveis híbridos e 100% movidos a baterias vão crescer, ainda que num ritmo mais lento do que prevíamos. Uma das razões é que a estrutura de pontos de recarga está mais lenta do que seria desejável. Por outro lado, o custo deste tipo de carro está baixando. Mais cidades estão dando incentivos, como é o caso recente de Barcelona, e o potencial para carros com emissão zero está aí. Uma prova de que os automóveis híbridos são o futuro é que concorrentes estão lançando produtos. Mas, por enquanto, eu não imagino esta tecnologia para o Brasil”.

Sucessão na Renault-Nissan

“O momento oportuno para discutir essa questão será em 2014, na reunião do Conselho de Administração, em fevereiro. O que interessa neste momento é continuar a desenvolver uma estrutura que respeite as culturas e identidades das marcas do nosso grupo. No ano passado, aumentamos a nossa produção, a participação em mercados importantes, como o brasileiro, e conseguimos economizar algo como 2,6 bilhões de euros com sinergias”.

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