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Carlos Ghosn deixa prisão domiciliar e viaja para o Líbano, diz jornal

Ex-presidente da Nissan, o executivo está preso desde novembro de 2018, acusado de fraude fiscal

Por Da Redação 30 dez 2019, 19h25

O ex-presidente da Renault-Nissan-Mitsubishi Carlos Ghosn deixou a prisão domiciliar no Japão nesta segunda-feira, 30. O executivo deixou o país de avião e viajou para o Líbano. As informações são do jornal libanês L’Orient-Le Jour. De acordo com a publicação, não há ainda a confirmação de que ele estaria liberado para deixar o país. Na noite de 19 de novembro de 2018, Ghosn foi preso ao desembarcar de um jatinho no aeroporto de Haneda, em Tóquio, acusado de fraude fiscal. Enfrentou 107 dias em uma solitária, com direitos restritos a um tatame como cama e apenas dois banhos semanais. Foi solto sob fiança de 9 milhões de dólares, mas acabou detido novamente após quatro semanas. Depois de mais vinte dias de detenção, foi liberado para cumprir prisão domiciliar na capital japonesa, regime que o proíbe de acessar a internet e se comunicar com a esposa.

As acusações contra Ghosn são quatro, e vieram em etapas. A primeira delas diz respeito à suposta sonegação de impostos sobre cerca de 44 milhões de dólares, metade do valor que teria recebido como remuneração entre 2010 e 2015, incluindo bônus e salários. A denúncia foi feita por ex-­executivos da companhia em sistema de delação premiada. Ghosn também é acusado de usar os recursos corporativos indevidamente.

Entre os benefícios recebidos — e não declarados — estariam residências de luxo no Rio de Janeiro, Paris, Amsterdã e Beirute, além da festa que celebrou o casamento e o aniversário de 50 anos da noiva, a americana Carole Ghosn, no Palácio de Versalhes, na França. Com a prisão, a Nissan demitiu o então CEO sumariamente, e pouco tempo depois ele foi destituído da liderança da Mitsubishi. A saída da Renault foi um pedido do próprio Ghosn, em janeiro deste ano. Há ainda denúncias de desvio de dinheiro para empresas de amigos e transferência de um prejuízo de milhões de dólares em um mau investimento pessoal para a Nissan.

Em novembro, o advogado do executivo, Takashi Takano, falou a VEJA. Segundo ele, a prisão de Ghosn seria uma retaliação de executivos da Nissan contra o processo de fusão com a Renault  “Ele foi vítima de um complô do governo japonês com altos executivos da Nissan”, acusa ele. Em entrevista a VEJA, a esposa de Ghosn também acusou o governo de conspirar contra o executivo. “É uma lista sem fim de injustiças. Ele passou 130 dias na solitária sem acusação formal. Por que não o tratam como inocente até que se prove o contrário? Meu marido é tido como culpado antes que possa se defender”, disse Carole. 

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