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Caoa manifesta interesse pela planta da Ford para produzir caminhão

Decisão sobre a compra da fábrica deve sair até outubro; valores do negócio não foram revelados

Por André Romani - 3 set 2019, 17h44

O governador do estado de São Paulo, João Doria, anunciou nesta terça-feira, 3, a manifestação de interesse público da Caoa pela planta da Ford, em São Bernardo do Campo (SP). O fundador da Caoa, Carlos Alberto de Oliveira Andrade, afirmou que a fábrica deve ser utilizada para a produção de caminhões. Porém, sem dar mais detalhes, ele disse que os modelos produzidos no local não serão da Ford. “Será de outra marca. Já estamos com um entendimento e o tema está avançado”, afirmou Carlos Alberto, que acrescentou que “não existe a intenção de ampliar a fábrica”. O valor a que chegaria o negócio não foi divulgado.

De acordo com o governador, a manutenção da produção de caminhões na fábrica é uma das exigências para a compra. Nos próximos 45 dias, Caoa e Ford devem se reunir para definir valores e mudanças no modo de operação da fábrica, como a situação dos empregados. Além dos caminhões, segundo Doria, a depender das tratativas entre as duas companhias, o local também deve sediar uma linha produtiva de automóveis. Na prática, o grupo Caoa manifestou a intenção clara de compra, mas ela ainda não foi consumada. As duas empresas já têm negócios conjuntos no Brasil, o que deve facilitar as negociações.

Segundo representantes do governo e da Caoa, não existe nenhum incentivo fiscal para a compra, mas a ideia não está descartada. “Se encaixar nos padrões, pode vir a acontecer”, disse Doria. Em março, o governo estadual anunciou programa de incentivo fiscal à indústria, em que são oferecidas reduções do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) em até 25% para montadoras que apresentarem planos de investir pelo menos 1 bilhão de reais e que gerarem no mínimo 400 postos de trabalho.

As negociações entre as duas empresas também envolveram os trabalhadores. Representantes da Caoa se reuniram na segunda-feira com trabalhadores do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC para discutir as novas regras trabalhistas. Logo após o anúncio de sua saída, em fevereiro, a Ford iniciou um Programa de Demissão Voluntária (PDV). Os trabalhadores que não optaram por esse modelo, devem ter prioridade na contratação da Caoa, segundo o sindicato. De acordo com o fundador da Caoa, a ideia é manter os empregos integralmente. O compromisso da Caoa é recontratar 850 trabalhadores para a linha de produção.

Segundo o sindicato, em fevereiro, a fábrica mantinha cerca de 2.600 trabalhadores, sendo 600 na área administrativa, que permaneceram com a Ford, e 400 que aderiram ao PDV. Desde então, com o fim da linha de produção do Fiesta, outros 750 foram demitidos. Assim, a expectativa é que a Caoa mantenha os 850 funcionários da linha de produção de caminhões.

Entenda o caso

Em 19 de fevereiro, a Ford anunciou o fechamento da planta de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo. Na ocasião, a montadora explicou que vai encerrar sua atuação no segmento de caminhões na América do Sul e deixar de comercializar os modelos Cargo, F-4000, F-350 e Fiesta, produzidos apenas no ABC paulista. O motivo, segundo a companhia, é a “ampla reestruturação de seu negócio global”. Governos estadual e federal, com a prefeitura de São Bernardo do Campo, negociam a venda da fábrica para outra empresa automotiva, a fim de manter os empregos na região.

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