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Candidato socialista francês recebe apoio inesperado do BCE

O candidato socialista à presidência da França, François Hollande, recebeu nesta quarta-feira um inesperado apoio do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, a seu pedido de elaborar um pacto de crescimento que, combinado com a austeridade fiscal, estimule as economias em crise.

“Precisamos de um pacto de crescimento”, afirmou Draghi diante da Comissão para Assuntos Econômicos e Monetários do Parlamento Europeu, em uma audiência de rotina.

Hollande, que foi o candidato mais votado no domingo passado no primeiro turno das eleições presidenciais francesas, ficando à frente do atual chefe de Estado, Nicolas Sarkozy, aposta há semanas em uma renegociação do tratado de disciplina fiscal, firmado em março pela Europa, para agregar-lhe um programa de estímulo ao crescimento.

“A Europa não está condenada à recessão”, afirmou Hollande nesta quarta-feira em um texto destinado a 44,5 milhões de eleitores que irão votar no dia 6 de maio. “Graças a seu apoio, renegociarei o tratado europeu e nos protegerei da competitividade desleal”, completou.

Horas depois, em uma coletiva de imprensa, o candidato socialista elogiou as declarações do presidente do BCE e anunciou que se for eleito presidente fará quatro propostas aos líderes europeus para renegociar o tratado, entre elas a criação do eurobônus para financiar os grandes projetos de infraestrutura e uma taxa sobre as transações financeiras.

Na terça-feira à noite, Hollande teve uma breve conversa com a chanceler alemã, Angela Merkel, que apoia Sarkozy, e disse a ela que aceitava a disciplina orçamentária, mas não a austeridade na qualidade de vida.

“Ela dirigiu a Europa com Sarkozy e estamos vendo os resultados”, disse Hollande em uma entrevista à rede de TV TF1. “Se for eleito presidente da República, proporei mudanças nos moldes europeus”, afirmou.

Hollande acredita que pode obter apoio na Europa para convencer a Alemanha a fortalecer as políticas a favor do crescimento e do emprego.

Até agora, o candidato socialista foi criticado por líderes conservadores europeus, a começar pela própria Merkel, que não quis lhe receber antes das eleições devido a sua rejeição ao tratado europeu.

Negando que esteja se intrometendo na campanha francesa, o chefe do Eurogrupo, o primeiro-ministro de Luxemburgo, Jean-Claude Juncker, deu razão nesta quarta-feira a Hollande, ao afirmar que “está claro que é preciso completar a política europeia com uma estratégia de crescimento”.

“Esse não é obrigatoriamente um assunto de tratado, mas sim um assunto a ser tratado”, disse Hollande fazendo um jogo de palavras com o tratado europeu.

Desde o início da campanha eleitoral, Sarkozy – que foi junto de Merkel um dos elaboradores do tratado europeu – alertou sobre os riscos do programa econômico de seu adversário, que segundo ele pode gerar uma onda de especulação nos mercados.

“Hollande é uma esquerda séria”, afirmou o diretor de campanha do candidato socialista, Pierre Moscovici. “Ele terá responsabilidade orçamentária, reduzirá o déficit público e, a partir de 2013, o colocaremos abaixo dos 3% do PIB”, completou.

Em geral, os pedidos na Europa por uma estratégia que estimule o crescimento têm crescido na mesma medida em que a austeridade imposta à região tem agravado as dificuldades de alguns países e lhes complicado a tarefa de reduzir seus déficits.