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Cancelar o leilão de Libra é ‘besteira’, diz especialista

Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), disse ao site de VEJA que, ainda que a espionagem tenha acontecido, é pouco provável que empresas tenham benefício no leilão do pré-sal

Um dia depois de uma reportagem produzida pelo Fantástico mostrar que a Petrobras pode ter sido alvo de espionagem da agência de inteligência dos Estados Unidos NSA, levantou-se a possibilidade de adiamento do leilão do campo de Libra, a maior área do pré-sal, agendado para 21 de outubro. Para o especialista Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE) e grande crítico do intervencionismo do governo na Petrobras, o cancelamento é desnecessário. “Ninguém sabe se houve o roubo de alguma informação. A reportagem mostrou que a agência teve acesso, mas não se sabe quando e o que foi feito com isso”, afirmou.

Para Pires, apesar de a reportagem chamar atenção para um assunto que é grave (visto que a agência não deveria realizar espionagem para fins econômicos, mas apenas para garantir a segurança nacional ), é preciso tomar cuidado com as proporções que o assunto pode ganhar. Ele diz que, mesmo que tenha havido acesso às informações da estatal, é difícil que empresas estrangeiras, em especial as americanas, venham a se beneficiar do leilão de Libra. “O governo já divulgou informações importantes, como a capacidade de produção de Libra”, explica, lembrando que a Petrobras é obrigada a ter uma participação de 30% em cada campo.

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O especialista acrescenta que o modelo adotado no leilão, que prevê que o petróleo extraído seja propriedade do estado, dificulta que as companhias obtenham vantagem ao ter acesso a informações restritas. “Essa história começa a ganhar certa dimensão que faz saírem do túmulo os nacionalistas retrógrados. Não faz sentido querer, com isso, fazer uma política para aumentar o monopólio da Petrobras”, critica. “Reserva não vale nada, o que vale é produção”, completa, dizendo que o leilão dos campos do pré-sal são necessários para que nosso potencial de reserva tenha relevância. “Daqui a pouco inventam outra tecnologia e nós ficaremos abraçados ao pré-sal.”

Pires lembra que a Petrobras precisa de dinheiro porque está com o caixa comprometido devido à defasagem dos preços do combustível do país (preço de venda) e no exterior (valor de compra). “A Petrobras não consegue fazer isso sozinha (investir na exploração do pré-sal). O caixa da empresa está comprometido”, ressalta o analista.

Ao ser questionado sobre se eventuais espionagens poderiam já ter beneficiado empresas dos EUA, Pires acrescenta que “só se fosse feita uma espionagem às avessas”, apontando que empresas norte-americanas têm pouco investimento no Brasil. Ele cita o caso da Exxon Mobil, que encerrou sua exploração em um bloco da Bacia de Santos, em abril do ano passado, depois de ter encontrado o campo de Guarani “seco”.