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Canadá reage a Trump e anuncia tarifa de até 50% sobre centenas de produtos dos EUA

Governo de Mark Carney anuncia sobretaxas sobre cerca de 700 produtos americanos, de aço e alumínio a eletrodomésticos e pescados

Por Ernesto Neves Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 25 ago 2026, 12h04 | Atualizado em 26 ago 2026, 10h39
Canadá reage a Trump e anuncia tarifa de até 50% sobre centenas de produtos dos EUA Priorizar nos meus resultados Google

O Canadá decidiu elevar para até 50% as tarifas sobre centenas de produtos americanos, em uma das maiores retaliações comerciais já adotadas por Ottawa contra seu principal parceiro econômico.

A medida atinge cerca de 700 itens e responde diretamente à nova ofensiva tarifária de Donald Trump contra exportações canadenses.

As novas tarifas, que entram em vigor em 8 de setembro, vão de 15% a 50% e abrangem aproximadamente US$ 20 bilhões em produtos importados dos Estados Unidos.

Aço e alumínio americanos serão taxados em 50%, enquanto eletrodomésticos, ferramentas, produtos florestais, equipamentos ferroviários e pescados também entraram na lista.

A decisão marca uma nova escalada na guerra comercial entre os dois países, poucos dias depois do fracasso das negociações entre Washington e Ottawa.

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O primeiro-ministro Mark Carney havia prometido responder às tarifas americanas “dólar por dólar”. E o pacote anunciado pelo governo canadense foi calculado para atingir praticamente o mesmo valor das exportações do país afetadas pelas medidas de Trump.

O recado, porém, vem acompanhado de um problema: retaliar os Estados Unidos também significa encarecer produtos para empresas e consumidores canadenses.

O próprio Carney reconheceu que a disputa deve elevar custos e reduzir as opções disponíveis no mercado.

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Quais empresas mais ganharam e perderam com o tarifaço dos EUA

Aço, alumínio e eletrodomésticos na mira

A medida mais pesada é a duplicação para 50% das tarifas sobre o aço e o alumínio americanos.

Ottawa também decidiu atingir uma ampla lista de bens industriais e de consumo, numa tentativa de distribuir o impacto da retaliação por diferentes setores da economia americana.

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A escolha dos produtos não é aleatória. Muitos deles correspondem justamente a setores canadenses atingidos pelas tarifas impostas por Trump, incluindo indústria, produtos florestais, vestuário e ferramentas.

Ao ampliar a lista para cerca de 700 produtos, o governo de Carney tenta aumentar a pressão política sobre Washington sem concentrar a retaliação em um único setor.

O verdadeiro risco está nos automóveis

A maior preocupação, no entanto, continua sendo a indústria automobilística.

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Trump ameaçou elevar de 25% para 50% as tarifas sobre veículos canadenses, uma medida que colocaria em risco um dos setores mais integrados entre os dois países. Mais de 90% dos veículos produzidos no Canadá são exportados, principalmente para os Estados Unidos.

O problema é que a indústria automotiva da América do Norte funciona como uma cadeia única.

Peças cruzam a fronteira entre Estados Unidos, Canadá e México diversas vezes antes de um veículo ser concluído.

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Uma escalada tarifária, portanto, não ameaça apenas fábricas canadenses: também aumenta os custos para montadoras americanas e pode pressionar o preço final dos automóveis.

O Canadá decidiu manter sua tarifa de 25% sobre veículos fabricados nos Estados Unidos, mas preservou um sistema que permite às montadoras que mantêm produção no país importar determinados volumes de carros americanos sem a cobrança adicional.

A tentativa é retaliar sem provocar um colapso imediato da própria cadeia produtiva canadense.

Uma disputa entre economias que foram construídas para funcionar juntas

A guerra tarifária entre Estados Unidos e Canadá tem um problema que não existe em conflitos comerciais convencionais: as duas economias são profundamente interligadas.

O Canadá importa cerca de US$ 272 bilhões em mercadorias americanas por ano, enquanto os Estados Unidos são, de longe, o principal destino das exportações canadenses.

Isso torna a retaliação uma arma limitada para Ottawa. O país pode atingir empresas americanas e criar pressão política, mas também fica mais exposto aos efeitos da disputa.

Por isso, a decisão de Carney tem um componente político tão importante quanto econômico.

O governo canadense quer demonstrar que não aceitará passivamente as tarifas de Trump, mesmo sabendo que uma guerra comercial prolongada pode causar danos dos dois lados da fronteira.

A nova rodada de tarifas mostra que a disputa deixou de ser uma negociação sobre setores específicos.

Depois de décadas de integração econômica, Estados Unidos e Canadá começam agora a testar até onde conseguem levar uma guerra comercial sem desmontar cadeias produtivas que os dois países levaram gerações para construir.

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