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Campo de Libra atrai onze interessados e (também) frustra governo

Três empresas chinesas estão interessadas na disputa; gigantes como BP, BG e Exxon ficaram de fora

Por Da Redação 19 set 2013, 17h40

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) divulgou, na tarde desta quinta-feira, o número oficial de empresas inscritas para a licitação da área de Libra, do pré-sal. Segundo a agência, onze companhias pagaram a taxa de 2,067 milhões de reais de inscrição para o leilão, marcado para 21 de outubro. Em evento realizado na manhã desta quinta-feira, a diretora-geral da ANP, Magda Chambriard, chegou a afirmar que eram doze as empresas participantes, número que foi corrigido posteriormente.

O interesse frustrou as expectativas do governo, que contava com a participação de, ao menos, quarenta empresas. Em menos de uma semana, trata-se da segunda grande decepção do Palácio do Planalto em projetos ofertados à iniciativa privada. O primeiro foi o desinteresse de investidores pelo trecho da rodovia BR-262, que liga o Espírito Santo a Minas Gerais, e que não atraiu consórcios.

Quanto menor o número de interessados no projeto – que é o mais importante do pré-sal — menores as chances de o governo arrecadar, ainda este ano, o bônus de 15 bilhões de reais com Libra. A ANP, contudo, negou que o número de participantes afetará o bônus, afirmando que os 15 bilhões de reais estão previstos em contrato. O governo conta com, no mínimo, esse valor para conseguir cumprir a meta fiscal deste ano, fixada em 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB), ou 110,9 bilhões de reais.

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Asiáticas – Durante o evento, Magda informou que as gigantes Exxon, BP e BG não vão disputar a concorrência. “Eu recebi telefonemas de três empresas, Exxon, BP e BG, dizendo que não vão participar do leilão do pré-sal por questões muito específicas de cada empresa. No entanto, reafirmaram o interesse no Brasil”, disse ela.

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Sem elas, a lista terminou composta pela japonesa Mitsui, a indiana ONGC, a malaia Petronas, a anglo-holandesa Shell, a colombiana Ecopetrol, a francesa Total, a Petrogal, a subsidiária brasileira da portuguesa Galp, a hispano-chinesa Repsol/Sinopec, e as chinesas CNOOC e China National Petroleum Corp (CNPC).

A Petrobras também integra a lista de onze, já que será operadora obrigatória da área de Libra e deverá ter, por lei, pelo menos 30% de participação em qualquer consórcio vencedor. O prazo para o pagamento das taxas terminou na quarta-feira.

Não houve pagamento por parte da Chevron, a segunda petroleira dos EUA, e de nenhuma outra norte-americana. Em comunicado, a empresa, que acaba de chegar a um acordo com a Justiça brasileira sobre a multa que pagará pelo vazamento de petróleo no Campo do Frade, disse que valoriza sua relação com o Brasil e vai continuar trabalhando para ajudar o país a desenvolver seu potencial petrolífero. Contudo, Libra não é seu objetivo. Uma segunda fonte, próxima à Shell, disse que o fato de a companhia ter pago a taxa não significa necessariamente que ela fará lances no leilão, marcado para 21 de outubro.

Frustração – Magda disse nesta quinta-feira que esperava que até quarenta empresas participassem da disputa, mas que a “conjuntura” fez com que o número fosse menor. “Esperava quarenta empresas, mas agora existe um contexto mundial de situações muito específicas de cada empresa que levam a essa situação”, afirmou.

O número reduzido de participantes também surpreendeu um consultor e ex-diretor da Petrobras. “É uma surpresa. A área (de Libra) é extremamente promissora, e não há oportunidades no mundo semelhantes às do pré-sal brasileiro”, afirmou Paulo Roberto Costa, da Costa Global Consultoria. Ele também se disse surpreso com o fato de companhias como Exxon, BP e BG não terem pago a taxa de participação no leilão.

Questionado sobre os motivos da baixa adesão, Costa avaliou que isso poderia ter relação com o fato de a lei determinar a Petrobras como operadora única, com no mínimo 30% de participação na reserva.

“Pode ser que isso tenha afugentado as empresas. Se houvesse uma abertura para a Petrobras não ser a operadora, talvez ou resultado fosse diferente”, afirmou ele.

Reserva – A ANP estimou que as reservas recuperáveis no prospecto de Libra poderão atingir entre 8 bilhões e 12 bilhões de barris, o que faria da área a maior do país, superando Tupi, com volumes que foram estimados em 2007 entre 5 bilhões e 8 bilhões de barris de óleo equivalente.

(com Estadão Conteúdo e Reuters)

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