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Cameron e Clegg divergem publicamente sobre a Europa

Por Carl Court 15 nov 2011, 12h32

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, e seu número dois, Nick Clegg, divergiram publicamente nas últimas horas em relação à União Europeia (UE) e sobre a necessidade de aproveitar a crise atual da dívida para recuperar alguns poderes de Bruxelas.

Cameron criticou fortemente as regras “sem sentido” e as instituições “sem contato com a realidade” da UE em um discurso pronunciado na noite de segunda-feira, no qual fez um apelo para que seja realizada uma “reforma fundamental” no bloco.

Durante o banquete anual oferecido pelo prefeito da City de Londres, Cameron – que se incluiu entre os “céticos” sobre a Europa – disse que é preciso aproveitar a oportunidade criada pela crise para retomar alguns poderes cedidos pelo Reino Unido a Bruxelas.

O primeiro-ministro conservador afirmou que a crise leva à pergunta: “Que tipo de Europa queremos?”.

“Para mim, a resposta está clara”, respondeu Cameron. “Uma com visão externa (…) com a flexibilidade de uma rede, não a rigidez de um bloco, cujas instituições ajudem seus membros a prosperar em um mundo vibrante, em vez de freá-los”.

Embora também tenha declarado não ser partidário de abandonar o bloco, com o qual o Reino Unido realiza a metade de suas trocas comerciais, Cameron apoiou os que argumentam que seu país deve “fazer menos” em nível europeu.

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“Nós, os céticos, temos um argumento vital. Devemos olhar de forma cética os grandes planos e as visões utópicas. Temos direito a perguntar o que deve ser feito ou não, e mudar isso em consequência disso”, acrescentou.

Mas o número dois da coalizão governamental, o liberal-democrata Nick Clegg, se distanciou publicamente nesta terça-feira de seu chefe.

Apenas os “populistas, chauvinistas e demagogos” se beneficiarão se os políticos se fecharem em discussões “secretas” em vez de se concentrarem na recuperação econômica, declarou Clegg durante uma coletiva de imprensa.

“Claramente o Partido Conservador e os Liberais-Democratas, assim como David Cameron e eu mesmo, pensamos diferente em temas europeus”, acrescentou.

Quanto à repatriação unilateral de poderes, Clegg, líder de um partido abertamente pró-europeu, considerou que “simplesmente não é possível”.

E, em um discurso posterior na Câmara dos Comuns, insistiu perante os deputados que a ideia de que “uma pessoa possa entrar no Eurostar (o trem de alta velocidade que une Londres à capital europeia), ir a Bruxelas e voltar com um carregamento de poderes” simplesmente “não é possível”.

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